Da individualidade para a cooperação: o que Nizan Guanaes aprendeu ao superar a Covid-19

publicado 19/05/2020 15h03, última modificação 27/05/2020 14h09
Brasil - Em bate-papo com a nossa CEO Deborah Vieitas, o fundador do Grupo ABC de Comunicação compartilhou algumas lições que carrega consigo depois de se curar da doença
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"Nunca houve tanta solidariedade nesse país. Estamos dentro de um problema e os empresários estão ajudando muito", avalia Nizan Guanaes

Em meio a pandemia do novo coronavírus, a recomendação da Organização Mundial da Saúde é lavar sempre as mãos, passar álcool gel, não tocar olhos, nariz ou boca, e evitar aglomerações. Porém, do ponto de vista social, de acordo com o publicitário Nizan Guanaes, o que menos se pode fazer neste período é “lavar as mãos” e se isentar da responsabilidade. Para ele, é dever das grandes empresas e da sociedade civil tentar impedir o colapso de diversos setores da sociedade.

Nizan Guanaes é um dos maiores publicitários do Brasil. Fundador do Grupo ABC de Comunicação, hoje ele comanda a consultoria estratégica N Ideias e, após superar a Covid-19, compartilha com público o que aprendeu em uma série de lives, batizada como Sunday Night. “Não dá para não ajudarmos os empresários, a comunidade, as pessoas e as pequenas empresas”, diz.

A lição da solidariedade é apenas uma entre tantas que Nizan Guanaes carrega consigo depois de se curar da doença. No dia 15/05, o publicitário participou de um bate-papo com nossa CEO Deborah Vieitas e compartilhou algumas delas.

 

DA INDIVIDUALIDADE PARA A COOPERAÇÃO

O mundo vai se refundar e, segundo Guanaes, o que a crise aponta é que a sociedade sairá do isolamento para a era da cooperação. Nesta nova ordem social, vão se destacar as marcas que se importaram com o consumidor durante a pandemia. Como qualquer pessoa, diz o publicitário, se você o ajuda, ele não vai te esquecer. Da mesma forma, se você tripudia em um momento difícil, ele também se lembrará.

Itaú, Magazine Luiza, Ambev e Klabin são alguns exemplos de empresas que tiveram uma ação extraordinária frente aos problemas causados pela Covid-19, de acordo com Nizan. “Nunca houve tanta solidariedade nesse país. Estamos dentro de um problema e os empresários estão ajudando muito - o Itaú, por exemplo, doou R$ 1 bilhão. Nem todas as empresas têm os mesmos recursos, mas todas dispõe da possibilidade de ajudar alguém”, afirma. No caso de Guanaes, ele criou a série de lives, Sunday Night.

 

IMPORTÂNCIA DO FUNDADOR

Todas as empresas já foram pequenas ou médias – ninguém começou grande. Segundo Nizan, esse é o momento para resgatar o espírito de fundador e refundar a companhia. “A empresa precisa tomar seu destino na mão, conversar consigo mesmo e se administrar na batida do momento”, avalia.

O publicitário relembra a história de Ralph Lauren. Mesmo sem dinheiro, o empresário contratava jovens para perguntar se havia roupas da marca em lojas de departamento – a ação gerava o desejo de compra necessário para seu sucesso. Para Guanaes, essa posição de publisher é essencial nos dias de hoje e será ainda mais no futuro.

“As empresas que tiverem donos, comprometidos com valores, liderarão esse novo movimento e terão vantagem. Todas as grandes companhias têm dono, pessoas com princípios, que tomam decisões e sabem dizer não. A Magalu é um grande exemplo de empresa que tem dono: ela dá resultado, cresce, é desafiadora e é comprometida com os valores”, conta Nizan Guanaes.

 

CAUTELA NA COMUNICAÇÃO

O publicitário conta que, ao ser colocado dentro da pandemia, foi capaz que enxergar a sucessão de erros de comunicação que cercaram a doença. “Homens infalíveis matam milhões de pessoas e sempre mataram. As pessoas precisam se perguntar se estão certos ou se o adversário não tem um ponto. O mundo está divido e cautela na comunicação é essencial nesse momento”, diz.

 

FORA DA CAIXA

Nós não vamos sair dessa crise com soluções práticas e óbvias – e essa afirmação de Nizan Guanaes é um consenso. Como o caminho padrão já está congestionado, a saída é enxergar o setor de uma forma diferente, com um olho no perigo e outro na oportunidade. “É claro que devemos cuidar do caixa, mas hoje tem muito mais espaço para o novo e para a brecha do que para o mainstreaming”, comenta.

O problema, segundo o publicitário, é que muitas pessoas querem pensar fora da caixa com os custos, processos e medos de dentro. “Se é para pensar fora da caixa, tudo tem que ser fora da caixa”, afirma ele. Porém, a realidade é outra. Empresas tradicionais têm uma dificuldade enorme de cortar esse cordão umbilical, principalmente em um momento de crise.

“Muitas companhias querem ter bebês com cabelo, dentes e que nasçam falando, mas esse tipo de produto não nasce assim. As empresas, ao contrário de quem está começando do zero – que tem muito mais capacidade de pensar fora da caixa porque erra e aprende –, querem fazer tudo dentro do compliance e dos métodos. É por isso que precisamos pensar em soluções fora e incorporá-las dentro da empresa depois”, explica Guanaes.

 

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