Dave Ulrich: mudança deve começar no que está ao alcance das empresas e não no que está fora dela

publicado 08/06/2016 15h30, última modificação 08/06/2016 15h30
São Paulo – Na Amcham, guru de RH destaca papel da liderança como indutora de mudança e criação de valor
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Toda mudança começa em fazer o que se está no próprio alcance, destaca o especialista em liderança e RH Dave Ulrich. “Não vamos concentrar tanta energia no governo ou no mundo fora do nosso controle. Vamos nos concentrar naquilo que podemos fazer e em onde fazer a diferença. Essa é a mensagem da mudança”, disse, no Fórum Liderança para Transformação dos Negócios da Amcham – São Paulo, na quarta-feira (8/6).

Para Ulrich, que é professor, consultor e escritor de liderança e gestão de pessoas, momentos de crise dão às empresas “licença para agir”. “Elas podem mudar a estratégia, os produtos, o pessoal e a abordagem de marketing, porque épocas difíceis nos dão licença para fazer coisas. Espero que consigamos fazer isso, porque mudanças são essenciais.”

Como exemplo, cita o caso da Kodak. Antes da ascensão da fotografia digital nos anos 2000, a empresa era a maior fabricante de filmes fotográficos do mundo. Na década de 1970, um de seus inventores apresentou um protótipo de máquina digital que armazenava as fotos em fita magnética – a precursora das memórias embutidas. A direção da companhia rejeitou o projeto e demitiu o funcionário, dizendo que o negócio principal era a venda de filmes de acetato.

Quando as máquinas digitais lançadas pelos concorrentes se popularizaram décadas depois, a Kodak sofreu uma queda abrupta de receita e teve sua falência decretada em 2012, voltando a operar depois sem a mesma relevância. Em seu auge, a companhia empregou mais de 140 mil funcionários pelo mundo. Atualmente, possui cerca de 300.

Segundo Ulrich, a maior parte das empresas não mantém o sucesso de antes porque não consegue enxergar a necessidade de se transformar constantemente. “O desafio desse novo mundo para as empresas é ter a habilidade de se adaptar e mudar. É preciso enxergar o futuro e reagir a ele.”

Um dos passos sugeridos por Ulrich para promover uma transformação nos negócios é identificar os “vírus” que impedem as mudanças culturais, que podem ser o respeito exagerado à hierarquia e processos desnecessários. “Temos que saber onde estão os problemas e o que precisamos discutir”, segundo o especialista.

Outro é eliminar burocracias que atrapalham o fluxo de informações e processos, como excesso de relatórios, aprovações e reuniões. Em seguida, Ulrich recomenda adotar check-lists de medidas necessárias para avaliar o que está sendo feito corretamente e evitar processos desnecessários.

A mudança de cultura organizacional também é importante. Mas é preciso ouvir o cliente no processo, afirma o consultor. “A cultura não é sobre quem a empresa é, mas sobre quem a vê. Enquanto a empresa espera lucro, o cliente quer inovação”, observa.

Em relação à liderança, Ulrich disse que ela tem que ser indutora de desenvolvimento. “Minha mensagem sobre liderança é que seu ponto de vista deve estar em linha com valores e demonstrar paixão, além de reforçar os pontos fortes. Mas o ponto mais poderoso, segundo ele, é quando os líderes criam valor para os outros.”

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