Demorar para reagir a crises aumenta potencial de riscos penais e de imagem

publicado 27/10/2016 10h30, última modificação 27/10/2016 10h30
São Paulo – Apurar denúncias de corrupção e colaborar com autoridades causam menos danos às empresas
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Para o advogado americano John Guzman, sócio do escritório White & Case, a estratégia mais indicada para lidar com denúncias de corrupção é tomar a iniciativa de apurar internamente os casos e colaborar com as autoridades quando necessário. “E comunicar ao mercado e autoridades todas as informações relevantes sobre os desdobramentos” , disse, no comitê de Compliance da Amcham – São Paulo da quarta-feira (26/10).

Mesmo quando surpreendidas por denúncias de práticas ilícitas, muitas empresas brasileiras preferem adotar o silêncio sobre o tema. Essa é uma atitude comum e pouco recomendada, pois uma crise em potencial pode se concretizar e expor a empresa a riscos penais e de imagem, na opinião do advogado. “Aqui, há uma cultura de se falar o menos possível achando que a crise será amenizada pelo tempo. Mas isso só costuma piorar as coisas quando a denúncia vem à tona”.

A atitude de prestar contas será bem recebida pelas autoridades, observa Guzman. De acordo com a lei anticorrupção, empresas que se omitirem na apuração de denúncias de corrupção ou não tiverem estruturas de compliance receberão punições maiores se forem envolvidas em casos de corrupção.

Nos Estados Unidos, as empresas costumam agir internamente quando se deparam com casos suspeitos. “A visão da empresa americana é ser proativa na estratégia de reportar denúncias, ao contrário do que acontece no Brasil. Elas procuram resolver a situação de forma privada, para evitar exposição pública”, compara Guzman.

O especialista presta assessoria jurídica a empresas que investigam denúncias de corrupção. Guzman nota que o rigor do processo de investigação muitas vezes cria desconforto com os próprios clientes. “Sempre explicamos que o processo pode demorar e será perturbador. Por isso, solicitamos aos administradores que nos ajudem a contatar pessoas e coordenar entrevistas.”

Guzman destaca a necessidade de criar estruturas de compliance capazes de prevenir práticas ilegais. “É necessário ter controles fortes, treinamento de pessoal e monitoramento. E estar preparado para apurar e realizar investigações internas de denúncias.”

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