Diálogo aberto aproxima diferentes gerações no trabalho

por andre_inohara — publicado 30/05/2011 17h23, última modificação 30/05/2011 17h23
São Paulo – Companhias investem em comunicação direta e treinamento para aproximar colaboradores de faixas etárias diversas.
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Nas empresas, uma geração de profissionais e executivos nascidos a partir da década de 1960 está começando a testemunhar a chegada de colegas mais novos no mercado de trabalho, que nasceram a partir de 1980, tanto em postos estratégicos como em nível operacional.

Atentas ao período de transição no mercado de trabalho entre as duas gerações predominantes de trabalhadores – as gerações X e Y, respectivamente – as companhias estão incentivando o diálogo em todos os níveis, bem como treinamentos de comunicação para evitar conflitos de gestão.

“Uma comunicação clara é capaz de, no mínimo, alinhar expectativas e identificar perspectivas diferentes, e aumenta o entendimento de que algumas pessoas trabalham com valores diferentes em determinados momentos”, disse o diretor de Recursos Humanos da construtora Camargo Corrêa, Ney Silva, durante encontro do comitê de Gestão de Pessoas da Amcham-São Paulo nesta sexta-feira (27/05).

Geração Y será metade da força de trabalho em 2014

De acordo com estudo da consultoria de recursos humanos Hay, estima-se que em 2014 a geração Y representará quase metade da força de trabalho mundial. A tendência, então, é de que cada vez mais executivos com menos de quarenta anos ocupem os postos-chave nas empresas e tragam consigo seus estilos de trabalho.

Os trabalhadores com menos de trinta anos são denominados geração Y, que se caracterizam pela familiaridade com novas tecnologias de comunicação, relações menos informais e imediatismo, começam a substituir a geração anterior, batizada de X, que conquistou relações mais abertas de trabalho, mas não é tão afeita às novas tecnologias.

“Temos nos preocupado em encontrar o equilíbrio nas comunicações, procurando construir formas positivas de diálogo”, comenta Silva, da Camargo Corrêa.

“Também é preciso valorizar as pessoas que deram a devida sustentação para que chegasse onde chegou”, referindo-se aos dirigentes da geração X, hoje a maioria nos postos estratégicos.

Videogame da Azul Linhas Aéreas

A política de diálogo aberto nasceu junto com a Azul Linhas Aéreas, disse o seu diretor de Recursos Humanos, Johannes Castellano. “Nossa grande diferença tem sido a predisposição para possibilitar que cada lado exponha sua versão”, afirmou.

Dos 76 principais executivos da Azul, 35 possuem mais de 30 anos, enquanto os demais estão na faixa de 40 a 60 anos, comentou Castellano. “Temos um vice-presidente (entre quatro) com 35 anos e um diretor (são 18) com 37 anos”, observou.

Em nível operacional, 240 dos 500 pilotos da Azul estão na faixa etária de 20 a 26 anos, descreveu Castellano, para quem a principal característica dos jovens profissionais é a grande familiaridade com a tecnologia.

“Usamos os aviões da Embraer, que possuem tecnologia avançada e bastante familiar para uma geração que cresceu jogando videogame. Eles se sentem muito à vontade em um ambiente tecnológico mais sofisticado”, explicou o diretor.

Em contrapartida, os pilotos mais velhos demonstram mais desconforto ao ter de se adaptar aos aviões da Embraer. “Nas aeronaves mais antigas, a cabine possuía menos telas e o voo era mais visual.”

Apesar da familiaridade menor com a tecnologia, ainda são os pilotos mais velhos que, na maioria, comandam os aviões. Já houve casos em que pilotos mais novos foram duramente repreendidos durante os voos, por realizarem tarefas diversas enquanto dirigiam a aeronave.

“Os comandantes mais antigos receberam tratamento quase paramilitar, o que não ocorreu com os colegas da geração Y. Os choques acontecem, mas há espaço para o entendimento das divergências”, garantiu Castellano.

Operários Y da Camargo Corrêa

Com 30 mil operários, a construtora Camargo Corrêa possui 2 mil encarregados para supervisionar esse montante de trabalhadores. Em uma pesquisa sobre clima organizacional realizada em abril, constatou-se que o perfil dos operários da geração Y também mudou, bem como a forma de interação com os superiores.

“Eles esperam muito de seus supervisores e, se eles não estiverem preparados para lidar com os questionamentos, terão problemas”, disse Silva, da Camargo Corrêa. “Por isso, temos feito um trabalho de capacitação e treinamento dos encarregados para que eles se tornem melhores comunicadores”, comentou.

Silva lembra que os encarregados da geração Y têm mais facilidade para interagir com os operários, o que não ocorre com os responsáveis mais velhos.

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