Diante de contexto fiscal e jurídico rigoroso, conselhos de administração redobram cuidados

publicado 09/06/2017 11h25, última modificação 09/06/2017 11h51
São Paulo – De acordo com a Korn Ferry Hay Group, assessores especializados têm ganhado espaço nos conselhos
Felipe Collesi

Felipe Collesi, da Korn Ferry Hay Group: remuneração média de conselheiros subiu 20% em 2016

A remuneração dos conselheiros de empresas aumentou mais de 20% em 2016, de acordo com Felipe Collesi, gerente sênior de compensação da Korn Ferry Hay Group. O motivo é que os conselhos de administração estão atuando mais próximos da operação e se cercando de assessores cada vez mais especializados, como forma de qualificar a tomada de decisões e se resguardar em função do cenário fiscal e jurídico mais rigoroso.

“A atuação deles está sendo influenciada pelo contexto de denúncias de corrupção, e a figura do especialista começa a ter cada vez mais peso nos comitês de assessoramento. Além disso, várias empresas trocaram conselheiros porque o mandato acabou e trouxeram pessoas muito mais caras”, disse, durante o comitê estratégico de Governança Corporativa da Amcham – São Paulo na quarta-feira (7/6).

Empresas podem manter comitês temáticos para assessorar os conselheiros em áreas como auditoria, RH, remuneração, governança e finanças. Uma estrutura qualificada acaba custando mais caro, argumenta Collesi.

Os dados fazem parte de um estudo anual da Korn Ferry Hay Group sobre a estrutura, tamanho e remuneração existente nos conselhos de administração das empresas. Na edição de 2016, foram ouvidas 55 empresas de capital aberto que operam no Brasil. No ano passado, os conselheiros receberam 20% a mais que em 2015. Um presidente de conselho ganha, em média, 1,2 milhão de reais por ano, ao passo que a remuneração dos membros é aproximadamente 412 mil reais por ano.

Ainda de acordo com a pesquisa, a remuneração predominante dos conselheiros é por honorários (100%) e participação em comitês de assessoramento (25%). Bônus anual (6%) e ações ou opções (12%) são práticas raras, que acontecem em poucas empresas. “Essas modalidades estão mais presentes na remuneração de executivos que se tornaram conselheiros e não quiseram perder o pacote”, detalha Collesi.

Para o especialista, a remuneração via bônus não é a mais indicada para conselheiros. “Ela privilegia uma visão de curto prazo, e o conselheiro não pode tomar decisões com esse horizonte de tempo apenas para receber mais dinheiro”, argumenta. Uma forma sugerida de remuneração é a divisão de pagamento fixo mensal mais ações da empresa. É um pagamento variável atrelado à valorização dos ativos, o que tende a recompensar decisões ligadas ao médio e longo prazos.

A qualificação dos conselhos é uma tendência, segundo Collesi. “Nas empresas abertas, os conselheiros são passíveis de punição criminal e civil pelos seus atos. E existe a pressão dos próprios funcionários e do mercado para que as empresas tenham boa governança.”