Economia nos próximos dois anos vai obrigar empresas a racionalizar e aumentar produtividade

publicado 08/08/2013 15h21, última modificação 08/08/2013 15h21
São Paulo – Piora fiscal deve levar a forte ajuste em 2015 e a movimento de contração do PIB, diz economista
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O setor produtivo terá de racionalizar processos e impulsionar a produtividade para passar por um caminho apertado, de crescimento econômico baixo, nos próximos dois anos, quando se espera um forte ajuste fiscal no país. O alerta é de André Loes, economista-chefe do HSBC, que participou do comitê estratégico de Finanças da Amcham – São Paulo na quinta-feira (08/08).

Loes estima que o PIB vá expandir em torno de 2%, enquanto a inflação ficaria por volta dos seis pontos percentuais.

“Serão dois anos de crescimento baixo e inflação resistente à queda, com perspectiva de ajuste mais forte em 2015, o que significa que o país vai crescer menos e que o governo vai tirar dinheiro da economia. O impulso que o governo dará ao PIB será de contração e não de expansão”, explica. “Por isso o setor privado tem de se preparar e fazer sua parte”, destaca.

O período não é por acaso. Será o primeiro ano de um novo mandato do governo federal, o que historicamente já remete a ajustes fiscais, considerando ainda o aumento de gastos no ano anterior, eleitoral. O problema é que o país já vem passando por uma deterioração fiscal, com despesas em alta e crescimento da receita reduzido.

Cenário

Há dois meses, a agência Standard & Poor’s mudou a perspectiva da nota de risco do Brasil (que é BBB) de estável para negativa. Segundo Loes, o posicionamento sinalizou que a situação fiscal do país é negativa, o que pode levar a um rebaixamento de rating em seis ou oito meses, dependendo dos próximos resultados.

“Como acho que o Brasil terá piora no resultado fiscal por conta da eleição, a chance de isso acontecer é grande”, pontua.

Somado ao ambiente interno, há uma migração de capitais para os Estados Unidos, que está mais atraente, inclusive para investidores que estavam voltados aos mercados emergentes. Para o empresariado brasileiro, isso significa que conseguir recursos como numa emissão de dívida no exterior, por exemplo, vai sair mais caro.

“Haverá menos disponibilidade de capitais, em geral. A empresa vai pagar mais por esse dinheiro, porque vai competir com o mercado americano, que é muito grande”, diz.

Para o economista-chefe do HSBC, já é hora do setor produtivo racionalizar as operações. “A mentalidade do empresariado tem de mudar. Todos estão trabalhando, competindo, então, a empresa terá de inovar, se quiser ganhar dinheiro”, define.

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