Em tempos de crise, desafio dos líderes é inspirar a empresa e tirar as pessoas da zona de conforto

publicado 03/05/2017 11h20, última modificação 01/06/2017 10h15
São Paulo – Executivos da Gerdau, Santander, Johnson & Johnson e Korn Ferry Hay Group compartilham visões sobre liderança
Comitê de Gestão de Pessoas

Da esq. para a dir.: Francisco Fortes (Gerdau), Guilherme Rhinow (Johnson & Johnson), Vanessa Lobato (Santander) e Fátima Marques (Korn Ferry | Hay Group)

Na crise, o desafio da liderança é inspirar e ajudar a reinventar a empresa, de acordo com os executivos Francisco Fortes, vice-presidente executivo de Pessoas e Desenvolvimento Organizacional da Gerdau, Vanessa Lobato, vice-presidente de RH do Banco Santander, e Guilherme Rhinow, diretor de RH da Johnson & Johnson (J&J).

“A primeira coisa que um líder tem que fazer é inspirar, tirar as pessoas da zona de conforto. Transmitir confiança para que as pessoas possam vencer desafios. E a segunda coisa é dar empowerment, deixar as pessoas trabalhar”, define Fortes, no comitê de Gestão de Pessoas da Amcham – São Paulo na quarta-feira (26/4). Fátima Marques, diretora regional da Korn Ferry | Hay Group para a América do Sul, também compartilhou sua visão sobre liderança nas organizações.

“O olhar da liderança é entender que a crise é passageira e a hora é de rever o negócio e suas oportunidades. Nessa hora vale o olhar do novo, de se reinventar, incentivar e dar coragem aos colaboradores”, acrescenta Lobato.

De acordo com Fortes, uma das formas que encontrou de empoderar os colaboradores foi diminuir o número de regras, o que melhorou a autonomia de trabalho. Uma mudança que o executivo classificou como “muito grande para uma empresa de 116 anos como a Gerdau”. “Estamos fazendo muito relacionamento com startups. Falando muito com os jovens, que acham que as regras têm que ser mínimas”, segundo o executivo.

Também cabe ao líder dar suporte as equipes. “Um líder também tem que ser um coach. Porque os jovens te olham e ouvem com muita atenção, estão sedentos por isso. É com essa batida que estamos desenvolvendo nossos líderes”, afirma Fortes.

Quando um colaborador é inspirado por seu líder, se torna três vezes mais produtiva, de acordo com ele. “Uma pessoa satisfeita é 40% mais produtiva do que uma normal. E uma pessoa inspirada é 120% a mais.” Fazer com inspiração é colocar a razão e a emoção juntas para funcionar, argumenta. “Quando a gente coloca os dois, fazemos coisas bárbaras, inimagináveis. É só ver os exemplos do esporte.”

No Santander, um líder tem que reunir sete competências que são: garra, empreendedorismo, confiabilidade, ineligência emocional, ser influenciador, colaborativo e desenvolvedor de pessoas, segundo Lobato. “Diante de um mundo desafiador, o líder tem que ser alguém que faz as coisas acontecerem”, observa.

Para Rhinow, da J&J, manter o foco em períodos turbulentos é o principal ensinamento aos líderes. “Estamos mantendo as mesmas premissas de desenvolvimento. É preciso pensar no impacto que uma mudança brusca tem no futuro da organização. Uma pesquisa de produto de nossa área farmacêutica leva sete anos, por exemplo. Então não posso ficar sujeito a volatilidades macroeconômicas”, argumenta.

Marques, da Korn Ferry | Hay Group, cita o senso de propósito como uma ferramenta importante da liderança. “Se você gosta do que faz, então faz melhor. E isso vai ser cada vez mais determinante no futuro das organizações.”