Empreendedor desde a infância e formador de líderes, Acacio Queiroz quer compartilhar conhecimento

publicado 21/08/2013 14h35, última modificação 21/08/2013 14h35
Belo Horizonte – CEO e presidente da Chubb relata sua trajetória profissional no Fórum de Liderança da Amcham
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Acacio Queiroz começou a empreender aos 11 anos, quando trabalhava na rodoviária de Curitiba, carregando malas. Inovou ao criar um serviço cobrado para a guarda de bagagens. Cresceu trabalhando e estudando até se tornar CEO e presidente da Chubb no Brasil, uma das maiores companhias do setor.

Aos 64 anos, ele afirma que seu histórico lhe serviu de base para construir a carreira e formar novos líderes - e ainda os enumera, em suas respectivas posições de gestão. Diz fazê-lo por gosto e revela que vai passar a se dedicar mais ao compartilhamento do conhecimento que adquiriu, por meio de palestras e livros.

A primeira publicação, Minhas Bagagens, saiu esse mês e foi o foco da palestra de Queiroz no Fórum de Liderança da Amcham - Belo Horizonte, quarta-feira (21/08).

Entre as passagens do livro, ele cita a em que descreve como foi parar no setor de sguros: “por acidente, literalmente”.

E, bem humorado, comenta histórias que, desde a infância, norteavam para um futuro promissor. “Meus amigos sonhavam em ser caminhoneiros. Eu sonhava em ser o gerente da transportadora”, conta.

Na entrevista a seguir, Queiroz, que também integra o conselho administrativo da Amcham – Brasil, comenta os motivos que o levaram a escrever o livro Minhas Bagagens e explica por que quer se dedicar à formação de mais líderes.

 

Amcham – Por que o sr. quis escrever um livro sobre sua trajetória profissional? Ele trata apenas da carreira ou permeia algum fato pessoal?

Acacio Queiroz – Como se diz popularmente, geramos um filho, plantamos uma árvore e escrevemos um livro. Só faltava o último, e por isso através deste livro eu transfiro experiência de vida, e tenho certeza que ajudará a muitos tanto em suas vidas pessoais como profissionais.

 

Amcham – Por que o sr. começou a trabalhar aos 11 anos? A família era modesta? O sr. tinha quantos irmãos?

Acacio Queiroz – Sim, nasci em uma família bastante modesta. Todos trabalhavam, em minha casa. Meu pai, minha mãe e meus irmãos menores, uma menina e um menino. Somos três. O que me impulsionou a trabalhar cedo foi pelo desejo de ter algumas coisas que não tínhamos possibilidade de adquirir, pois a família tinha outras prioridades. Com os primeiros salários comprei uma bicicleta Monark com marcha, o que na época era um artigo que só pessoas com poder aquisitivo poderiam ter.


Amcham – O sr. começou com 11 anos como carregador de malas na rodoviária de Curitiba. Soube que foi lá o primeiro serviço que o sr. empreendeu, ao cobrar pela guarda das bagagens. O sr. se lembra como surgiu essa ideia?

Acacio Queiroz – A ideia surgiu porque as malas eram muito pesadas e eu teria que terceirizar esse serviço. Foi quando fiz um carimbo e passei a cobrar a um cruzeiro por mala guardada. Com isso, consegui "contratar" uma pessoa mais forte para carregar as malas mais pesadas e ainda sobrava algum para mim.


Amcham – Continuou a estudar mesmo trabalhando? Como fazia para conciliar trabalho e estudos nos ensinos fundamental, médio e, depois, na graduação?

Acacio Queiroz – Meu pai só me deixou trabalhar com a promessa de que eu não pararia de estudar em momento algum, e assim o fiz. Estudava à noite e trabalhava de dia. Do ensino médio até a faculdade.


Amcham – O sr. queria se tornar um grande líder empresarial? Quais eram suas ambições, à época?

Acacio Queiroz - Sempre fui muito otimista. Quando os meus amigos de infância diziam que iam brincar de caminhão, e que desejavam ser motoristas, eu já dizia que eu seria o gerente da transportadora. Sonhar pequeno não é privilégio de ninguém.

 
Amcham – De que forma esses esforços iniciais contribuíram para seu perfil profissional?

Acacio Queiroz – Começar a trabalhar cedo tem a desvantagem de que a gente perde parte da infância, mas por sua vez, passa a acumular experiência prematuramente, o que faz com que você consiga um crescimento profissional bem mais rápido, nunca esquecendo evidentemente de sua vida pessoal e dos estudos. E o meu perfil se torna um misto de empreendedor, com foco em resultado e liderança moderna.


Amcham – O sr. leva esses aprendizados para suas equipes? De que forma?

Acacio Queiroz – Eu levo diariamente este aprendizado às minhas equipes, através de ensinamentos diários em uma administração horizontal, comunicação fluente e estilo de liderança moderna, contemplando todas as gerações.


Amcham – Sei que o sr. gosta de formar lideranças. Por que? Como surgiu essa “vocação”? Quantos já formou?

Acacio Queiroz – Líder, na acepção da palavra, como costumo dizer, é aquele que faz os outros crescerem, pois se assim não for, a sua liderança poderá ser questionada por vários motivos, até mesmo com relação do porquê de não ter formado pessoas durante sua vida executiva. Essa vocação surgiu porque tive líderes que pensavam exatamente como eu penso hoje.

Já contribuí para a formação de oito presidentes, mais de 15 vice-presidentes, 40 diretores e uma infinidade de superintendentes e gerentes - e ainda espero formar muito mais. Aliás, como eu digo no próprio livro, o meu maior prazer é transferir experiência, e faço isso sem visar nenhum tipo de lucro. Quando alguém quer contribuir com algo, indico uma instituição para que se faça doação.


Amcham – Como é seu processo de formar novos líderes?

Acacio Queiroz – Primeiro eu acredito que líder é aquele que gosta de se relacionar. Você tem que gostar de pessoas. Se assim não for, você poderá ser um grande técnico em qualquer área, mas jamais um líder. Quando identifico que um liderado tem esta característica, aceita ser treinado sob todos os aspectos e não mede esforços para se desenvolver, buscando sempre aprender diariamente, aí temos um ótimo candidato para novo líder, mas tudo no seu devido tempo. Nada de queimar etapas.


Amcham – De toda a sua experiência abordada no livro, há passagens que o sr. gostaria de destacar? Alguma pela qual o sr. tenha mais apreço?

Acacio Queiroz – Todas as passagens são interessantes, mas a mais importante é aquela que descrevo que entrei para o setor de seguros por acidente, literalmente. Para quem quiser saber mais terá que ler este capítulo do livro, assim nós deixamos uma pontinha de curiosidade.


Amcham – O que o sr. espera, do público, ao contar sua trajetória profissional?

Acacio Queiroz – Espero que eu possa, de alguma forma, incentivá-los, mostrando exemplos práticos que formam caminhos para o sucesso na vida pessoal e profissional, além de mencionar várias frases e exemplos que poderão ajudá-los muito no dia a dia, como por exemplo, você tem que “ser” antes de “ter”.


Amcham – O que o sr. pretende, em sua carreira, daqui para a frente? Ainda há metas a serem alcançadas? O sr. pode citar quais são e por quê?

Acacio Queiroz – Ainda tenho muitas metas a alcançar. Hoje sou presidente do conselho e presidente e CEO do grupo Chubb do Brasil. Pretendo, no próximo ano, diminuir um pouco as horas dedicadas à parte executiva para poder virar a chave que me permitirá palestrar ainda mais, escrever outros livros e continuar nessa área de desenvolvimento de pessoas e estratégias para empresas de alta performance. Este é meu futuro. Não vou parar de trabalhar. Só o dia que Deus quiser.

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