Empresas com controle maduro de riscos têm melhor resultado operacional, mostra pesquisa da Ernst&Young

por marcel_gugoni — publicado 12/07/2012 13h03, última modificação 12/07/2012 13h03
São Paulo – Estudo mostra que empresa que insere práticas de gestão de risco no planejamento de negócios e na gestão da performance são mais dispostas a alcançar suas metas.
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Controlar os riscos inerentes aos negócios é a melhor forma de impulsionar os resultados operacionais da empresa. Uma avaliação feita com 576 empresas de todo o mundo pela auditoria Ernst & Young mostrou que as empresas que têm processos maduros de controle, prevenção e administração de riscos registram faturamentos e lucros maiores do que as que não prezam pela prevenção das perdas em potencial. 

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O levantamento mostra que o controle de riscos está intimamente ligado à melhor performance financeira, como explica Juliana Rodrigues Pereira, sócia e líder de serviços de auditoria interna para a América do Sul da consultoria. “A empresas top em avaliação de risco têm um lucro operacional que é praticamente o triplo das que têm baixa performance na área”, disse, durante o seminário Gestão de Riscos Corporativos realizado na Amcham-São Paulo nesta quinta-feira (12/07). 

Entre 2004 e 2011, as empresas que aparecem no topo das práticas de controle e gestão de problemas – 20% da amostra (e que o estudo chama de “20% top”) – tiveram aumentos no Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) na casa de 20,3%. No mesmo período, o estrato inferior da lista (as chamadas “20% bottom”) registrou crescimento de 7,4% nos negócios. 

Quando o assunto foi faturamento, a pesquisa identificou que o das “20% top” cresceu 16,8%, enquanto o das “20% bottom” aumentou 10,6%. 

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O grupo intermediário (o “middle 60%”), composto pela maior parte das empresas, teve resultados mais próximos ao do estrato inferior do que das top. O lucro operacional deste grupo, no mesmo período, aumentou 8,3%, enquanto o Ebitda aumentou 9,5%. 

Integração 

Segundo Juliana, que foi moderadora do seminário da Amcham, o risco é inerente a qualquer negócio, mas “as organizações que inserem práticas de gestão de risco no planejamento de negócios e na gestão da performance são mais dispostas a alcançar suas metas estratégicas e operacionais”. 

Ela diz que o primeiro aspecto que chama a atenção entre as empresas entrevistadas é a busca pela integração das áreas de gestão de risco com as de auditoria e compliance. “Os executivos das empresas top concordam que essas funções estão integradas e se conversam. A integração é sempre um fator mencionado.” 

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Neste sentido, os responsáveis por facilitar e promover essa integração são a diretoria e o conselho de administração. “O controle de riscos efetivos começa de cima. É essencial que haja fiscalização e responsabilidade dos conselhos e da diretoria sobre as ameaças”, ressalta o estudo. 

A visão estratégica ajuda a balizar as ferramentas e métodos de prevenção e de mitigação de problemas. O segredo é identificar e entender quais os riscos que importam, analisa Juliana. “Nenhuma empresa vai conseguir evitar todos os riscos a que está sujeita, mas tem que saber o que pode aceitar e o que consegue controlar”, reforça. “Isso permite investir com maior eficácia para evitar os problemas críticos que afetem a própria missão da organização.” 

Gerar valor 

“O diferencial da área de riscos é mostrar que consegue gerar valor à organização”, resume a especialista. “Isso é feito a partir do fornecimento de análises das áreas vulneráveis e da tangibilização dos riscos existentes a partir da montagem de uma estrutura de controle.” 

Em outras palavras é uma questão de melhoria dos processos de gerenciamento. Segundo o levantamento, “o efetivo aproveitamento da tecnologia para controlar e gerenciar os riscos é o maior ponto fraco das empresas e a área com maior número de oportunidades de negócios”. 

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A otimização de controles em torno de processos-chaves permite monitorar os pontos críticos dentre os riscos que mais ameaçam os negócios. 

A criação de valor decorre da identificação de como encaixar os negócios, a tecnologia e as estratégias de risco. “A vantagem competitiva advém do melhor uso dos recursos escassos, da melhor tomada de decisões e da menor exposição a eventos negativos”, explica a pesquisa. 

“Falar de gestão de riscos hoje é ver que as empresas têm grande numero de funções que mexem com o risco sem ter a clareza de como isso impacta toda a organização”, avalia a consultora. “Este estudo vem para mostrar que há uma forte correlação do desempenho da gestão de risco com a performance financeira.” 

Otimizar a prevenção de problemas e conseguir mensurá-los, então, é a saída para usar com mais eficiência o capital da empresa. “Anos atrás, muitas organizações focavam em mitigar os riscos e controlar custos a fim de manter os negócios fora de perigo e proteger suas marcas. Hoje, mais e mais empresas buscam desenvolver estratégias de gestão de problemas que impulsionem os negócios.”

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