Empresas investem em e-commerce por meio de redes sociais

por giovanna publicado 29/11/2011 18h55, última modificação 29/11/2011 18h55
Dirceu Pinto
São Paulo – Companhias estão estruturando ações e plataformas de vendas personalizadas para sites de relacionamento virtual.
img_0306.jpg

Com mais de meio bilhão de pessoas conectadas todos os dias no mundo, as redes sociais estão transformando a forma com que as empresas desenvolvem estratégias de e-commerce para seus produtos e serviços.

Os sites de vendas online das marcas estão passando a dividir espaço com ações de social commerce, baseadas na utilização de sites de relacionamento social como plataformas de vendas. A tendência foi apontada por especialistas reunidos nesta terça-feira (29/11) no comitê de Marketing da Amcham-São Paulo.

“O social commerce une, na prática, as lojas virtuais às ferramentas de mídia sociais. Afinal de contas, as redes de relacionamento virtual são hoje canais de comunicação indispensáveis para qualquer companhia e com potencial de exploração tanto para relacionamento com consumidores como para vendas diretas”, explicou Hegel Vieira Aguiar, diretor da Unidade Digital da agência RMA Comunicação. 

Compra sem interromper interação

A principal característica do social commerce é possibilitar a aquisição de um bem ou serviço sem necessitar interromper a interação com os amigos nas redes sociais. Encaixam-se nessa categoria de compra qualquer etapa de negociação de um item em que o processo de aquisição é iniciado na própria ferramenta social, mesmo que não seja concluída nessa mídia.

Pesquisa do Ibope divulgada em agosto apontou que 1/4 dos usuários de redes sociais no Brasil já utilizam esse meio para mencionar marcas e revelar desejos de consumo. “A internet não cresce apenas em números. Cresce também em experiência. Os usuários estão mais abertos aos novos canais. As empresas devem aproveitar este momento”, afirmou Hegel.

Na visão dele, a venda de produtos nas redes encurta e aproxima o relacionamento entre empresas e clientes. “As pessoas já utilizavam as redes para levantar informações sobre produtos desejados e ponto de vendas de marcas. O social commerce atende a esse tipo de demanda e ainda estimula que os usuários compartilhem sua experiência de compra com sua base de amigos”, diz ele.

De acordo com o especialista, empresas interessadas em investir em uma plataforma de vendas nas mídias sociais devem primeiro se preocupar em criar um conteúdo diferenciado e com canal de relacionamento personalizado com esse perfil cliente. “Além de monitorar a ações dos seguidores, é preciso traçar ações diferenciadas, com comunicação adequada e conteúdo relevante. A compra será sempre uma consequência do envolvimento do usuário com a marca naquela mídia”, aconselha Hegel Vieira.

Magazine Luiza no Facebook e no Orkut

A rede varejista Magazine Luiza é uma das marcas brasileiras pioneiras no investimento em vendas via mídias sociais. Há três meses, a rede lançou para familiares de funcionários um aplicativo no Facebook e no Orkut intitulado “Magazine Você: Sua Loja para seus Amigos”.

O aplicativo funciona como uma loja personalizada online em que usuários escolhem até 60 produtos do site do Magazine Luiza para divulgar junto ao seu capital social de amigos, em seu perfil em redes sociais. Quando alguém clica em um banner divulgado na rede social e efetiva a compra, a loja identifica a procedência do clique e o dono do perfil que divulgou o aplicativo recebe uma porcentagem do valor da compra.

“Já temos mais de 500 lojas do Magazine Luiza em perfis de usuários nas duas redes sociais trabalhadas. A ideia é aproveitar o engajamento dos nossos seguidores como força de vendas online e com possibilidade de personalização”, contou Maria Clara Batalha, gestora de E-commerce do Magazine Luiza, que apresentou o caso de sucesso da ação no comitê de Marketing.

O aplicativo “Magazine Você” será disponibilizado para o público geral, mas ainda sem data de lançamento definida.

Case Guaraná Antarctica

Outro case de construção e divulgação da marca nas redes sociais apresentado no comitê de Marketing foi o do Guaraná Antarctica, da Ambev. Apesar de não realizar vendas diretas de produtos nas redes, a marca hoje ocupa o posto de empresa com o maior de número de fãs no Facebook, onde reúne mais de 2 milhões de seguidores.

“Identificamos que tínhamos diminuído nossa participação de mercado junto ao público jovem. Nossos perfis no Twitter, Facebook e Youtube foram fundamentais para reconquistar fatia de mercado e hoje já identificamos que nossos seguidores nas redes sociais consomem 40% mais Guaraná Antarctica do que os clientes tradicionais”, disse Thiago Guedes, gestor da Área de Estratégia da marca de refrigerante.

A principal estratégia do Guaraná Antarctica é o desenvolvimento de conteúdo personalizado para cada rede social e voltado para a interatividade direta com o público consumidor. “Nosso principal objetivo é aumentar o engajamento dos nossos seguidores. Trabalhamos para ter fãs que trabalhem e defendam nossa marca junto aos seus amigos”, explica Guedes.

registrado em: