Empresas têm que desengessar gestão e colocar seus valores em prática, ensina especialista em RH

por marcel_gugoni — publicado 23/01/2012 18h01, última modificação 23/01/2012 18h01
São Paulo – Liberdade para criar e participação em decisões dão bons resultados na produtividade dos colaboradores.
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Os colaboradores são considerados a essência de qualquer empresa, mas muitas vezes não são ouvidos ou ficam de fora de decisões importantes do negócio como um todo. Para o especialista em gestão e liderança de pessoas Tatsumi Roberto Ebina, as empresas difundem muito seus valores, mas ainda não os colocam totalmente em prática.

Ebina, que é formado em Ciências Sociais e Pedagogia e pós-graduado em Administração de Recursos Humanos, falou sobre gestão de pessoas em um café da manhã para associados realizado na Amcham-São Paulo na sexta-feira (20/01).

“Toda e qualquer organização considera as pessoas como sua essência, mas não usa o que de melhor cada uma delas pode dar. Há um engessamento do modelo de hierarquia”, afirma. Ele defende que é necessária uma mudança urgente na maneira como se lida com o capital humano, o mais importante para qualquer companhia.

Mais transparência

Muitas empresas perdem tempo e dinheiro com o retrabalho de tarefas que não foram feitas corretamente. Para Ebina, falta maior transparência na relação corporativa. “Se algo está levando a esse cenário [de retrabalho], ou está errado o modelo [de gestão] ou a postura ddo chefe”, afirma. “Temos que acabar com os discursos e colocar em prática a sinergia, dar espaço para que as pessoas possam falar o que quiserem e tornar suas corporações mais transparentes.”

“Muitos dizem que querem alcançar determinado alvo, mas mantêm segredo, não compartilham com os funcionários. Todo profissional precisa e quer oportunidade para fazer algo bem feito. Só assim mantemos a equipe motivada”, completa.
 
Novas relações de trabalho

O especialista ainda defende uma mudança completa na estrutura de relações de trabalho, incluindo a recompensa dos trabalhadores. “Sabemos que salário não retém funcionário. O ideal é reconhecer melhor os profissionais. Se dois profissionais ganham R$ 10 mil, mas um faz uma tarefa melhor do que o outro, qual de fato vale mais?”, questiona.

“Tem gente que é capaz de ajudar outras pessoas e dar conta de seu trabalho, produzindo um efeito sinérgico que é maravilhoso. Essa pessoa não merece ganhar mais? Nas atuais práticas, não pode ganhar mais, porque está limitada a um cargo que é pesquisado no mercado e tem um valor definido. Ele ganha não pelo valor dele, mas pelo valor do mercado”, lamenta.

Para o especialista, enfrentar esse desafio e tantos outros, como a competição entre departamentos, exige liderança desapegada do poder e com o desejo de fazer uma transformação. “As mudanças exigem o desapego aos cargos e o apego à essência e aos valores da empresa”, finaliza.

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