Entender cultura organizacional é essencial para implementar mudanças

por marcel_gugoni — publicado 07/02/2013 17h09, última modificação 07/02/2013 17h09
Porto Alegre – Sucesso de novas estratégias depende também de analisar sua eficácia, prioridades e direcionamentos corporativos, avalia consultor.
lima_195.jpg

Muitas organizações tentam operar mudanças, seja para enfrentar uma situação difícil ou para aproveitar uma oportunidade de avanço. Em qualquer um dos cenários, colocam-se desafios e, para garantir o sucesso das estratégias, é preciso analisar sua eficácia, bem como prioridades, direcionamentos e a cultura da empresa. É o que explica Jayme de Lima, consultor da Symnetics.

Veja aqui quais são as vantagens de ser sócio da Amcham 

“Tomar esses cuidados é essencial para quem não quiser se incorporar às atuais estimativas de que 70% das ideias não chegam à execução”, diz Lima, que participou do comitê de Empreendedorismo da Amcham-Porto Alegre nesta quinta-feira (07/02). 

O consultor explica que as estratégias muitas vezes falham por falta de robustez da proposta. “Isso acontece quando não se tem clareza quanto às prioridades e aos direcionamentos, ou então quando as metas não são factíveis”, avalia. 

Outro ponto crítico é que os recursos humanos e financeiros necessários nem sempre são priorizados ou alocados corretamente.

Leia mais: Empresa inovadora é aquela capaz de mesclar estratégia com cultura, afirmam especialistas

Além desses aspectos, há a questão comportamental: uma boa estratégia envolve transformações em vários níveis da organização. “Se o impacto que as mudanças trazem às pessoas não for compreendido e gerenciado, nada acontece. Elas não conseguem se engajar nesse novo processo e a estratégia falha”, explica. 

As competências individuais são cruciais e devem estar alinhadas ao objetivo da mudança. “Não se pode querer expandir um negócio para a China abrindo uma filial naquele país se ninguém da equipe fala mandarim, nem aumentar a receita sem alinhamento à lucratividade." 

Cultura 

Pensar na cultura da empresa é o ponto-chave para a concretização da estratégia, mas nem sempre isso foi visto assim. “Antes, a cultura era algo muito etéreo, intangível, que estava dissociado da operação do negócio em si, e as pessoas não dedicavam muito tempo a entender e a tentar acompanhar e gerenciar a cultura organizacional”. O assunto muitas vezes acabava restrito ao RH. 

Mas o cenário mudou. Todos os gestores, independente da área de atuação, já estão entendendo que é também responsabilidade deles gerenciar a transição comportamental e o engajamento dos colaboradores. “Fico muito satisfeito por ver essa heterogeneidade, que prova a maturidade do nosso corpo executivo nacional para o tema, e tenho certeza de que [essa nova visão] irá gerar resultados importantes”, salienta. 

Estratégias para execução

Lima aconselha que se evite modificar a estrutura organizacional. “Mas o modelo a seguir vai de caso a caso. Não existe uma receita única para a gestão da mudança, e sim práticas, conceitos e ferramentas que têm sua eficácia comprovada, e que devem ser adaptados considerando o contexto  e a cultura da organização.”

Quer participar dos eventos da Amcham? Saiba como se associar aqui 

O consultor também comenta que é importante ter consciência de que, diante de mudanças, cada pessoa reage de uma maneira e esses comportamentos diferenciados precisam ser gerenciados. Entre as manifestações diante das transformações, há a negação da realidade, a resistência e a fase de negociações, de forma não necessariamente linear e sucessiva. 

Lima aponta que um recurso pouco utilizado para lidar com essa perspectiva é a matriz de influência, em que se analisa o impacto de cada colaborador na equipe e, a partir disso, trabalham-se suas motivações pessoais com relação à mudança. Os caminhos a serem adotados envolvem de treinamentos a consultoria, mas, com algumas medidas, já se pode melhorar o cenário, por exemplo ao incrementar a comunicação interna por meio de divulgação de “pequenas vitórias” e constante feedback à equipe. 

Em relação à gestão, o consultor aconselha que é preciso ter foco no indivíduo mais resistente, tentando engajá-lo  e, se não houver sucesso nesse sentido, promover seu desligamento.

registrado em: