Especialistas avaliam positivamente metas do governo federal para enfrentamento de doenças crônicas

por daniela publicado 29/09/2011 14h23, última modificação 29/09/2011 14h23
Daniela Rocha
São Paulo - A partir do discurso da presidente Dilma Rousseff sobre o tema na ONU, há um cenário propício para mudanças, afirmam.
especialistas_corpo.jpg

Especialistas avaliam de forma positiva as metas anunciadas pelo governo federal para enfrentamento de doenças crônicas. O plano 2011-2022 foi anunciado pela presidente Dilma Rousseff em seu discurso na abertura da reunião sobre o tema entre chefes de Estado na Organização das Nações Unidas (ONU) em 19/09.

Os altos custos dos procedimentos e internações, assim como a prevalência de mortes precoces relacionadas às principais doenças crônicas (cardiovasculares, pulmonares, diabetes e câncer), consistem em preocupação global.

Há dez anos, a ONU teve uma conferência semelhante que colocou a prevenção e o tratamento da AIDS, doença sexualmente transmissível, na agenda dos governos. Atualmente, as atenções se voltam às doenças crônicas devido ao crescimento expressivo no número de casos mundialmente.

“Acredito no comprometimento do governo brasileiro. O plano apresentado é muito bom e, como foi mencionado, o Programa de Saúde da Família tem papel importante. Alguns recursos já existem, mas serão necessários mais aportes em iniciativas para se atingir a meta de redução de 2% ao ano da taxa de mortalidade (de pessoas com menos de 70 anos) por doenças crônicas até 2022”, ressaltou José Antônio Maluf de Carvalho, diretor de Medicina Diagnóstica e Preventiva do Hospital Israelita Albert Einstein que participou nesta quinta-feira (29/09) do comitê de Saúde da Amcham-São Paulo.  

Conforme o diretor, Dilma enfatizou os esforços para evitar a incidência de doenças crônicas na população nos próximos dez anos a partir de políticas para a redução da obesidade entre crianças, jovens e adultos; a diminuição do consumo nocivo do álcool; o aumento do consumo de frutas e hortaliças; a queda no consumo médio de sal; e a queda do tabagismo.

A presidente também reforçou outros objetivos a serem alcançados: ampliação da cobertura de mamografia em mulheres entre 50 e 69 anos e do exame preventivo de colo uterino em mulheres de 25 a 64 anos, além do tratamento de 100% das mulheres com diagnóstico de lesões precursoras de câncer.

“Vejo um cenário interessante no País para novas regulamentações com o propósito de enfrentar as doenças crônicas. Também é um momento bom para integração dos diversos agentes em ações preventivas”, comentou Luiza Cruz, gerente de Mercado Corporativo da Axismed, que atua na área de gestão preventiva da saúde.

“Essa preocupação da presidente Dilma é na verdade mundial. As autoridades buscarão controlar as doenças crônicas e melhorar a qualidade de vida, evitando custos demasiados em saúde”, acrescentou Arlindo de Almeida, presidente da Associação brasileira de Medicina de Grupo (Abrange), também presente no debate da Amcham.

 

Conta benéfica

Embora sejam necessários altos aportes financeiros nas ações preventivas, no longo prazo, o resultado é benéfico às contas do governo, que terá menos gastos com atendimentos de alta complexidade. “O Brasil arca com os altos custos das doenças crônicas e ainda com custos elevados das doenças transmissíveis como dengue, sendo que, nos países de primeiro mundo, grande parte das doenças transmissíveis já está controlada”, disse José Antônio Maluf de Carvalho, do Einstein.

Segundo ele, as medidas preventivas também serão cada vez mais fundamentais para assegurar a sobrevivência do sistema de saúde privado.  Isso porque hoje o ritmo dos custos relacionados ao tratamento das doenças crônicas cresce em ritmo muito maior do que o da capacidade de investimentos.

“Está na hora de os médicos irem atrás dos pacientes. As operadoras de saúde terão de ser mais proativas, passando a mapear a população de pacientes crônicos e fazer acompanhamento. Precisarão estimular as pessoas a aderirem a programas de qualidade de vida e realizar exames periódicos preventivos. Caso contrário, o sistema se tornará instustentável”, destacou Almeida, da Abramge.

Luiza Cruz, da Axismed, aproveitou para apresentar o case de gestão preventiva de saúde dos beneficiários do fundo de pensão Sistel, que gerencia recursos de aposentados de várias empresas do setor de telecomunicações. No total, são 41 mil vidas, com idade média de 67 anos, sendo que 2.200 pessoas foram monitoradas por, no mínimo, um ano.

Dentre os resultados positivos, estão a redução de 10% do universo de tabagistas (que passou de 6% do público geral para 5%) e a ampliação de 54% para 75% de participantes em atividades físicas. “Com isso, mostramos que é possível auxiliar na mudança de hábitos, mesmo que de um público com idade mais avançada”, afirmou. Desde a instituição do monitoramento em 2004 até hoje, houve uma queda nas despesas anuais por paciente de R$ 681 para R$ 452.

 

 

registrado em: