Estímulo às novas ideias entre funcionários transforma as empresas

publicado 29/07/2013 09h00, última modificação 29/07/2013 09h00
São Paulo – Cada colaborador precisa ser incentivado e ter espaço para se tornar um agente de inovação
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“O empreendedor é aquele que vive alguns anos como ninguém quer para passar muitos anos como ninguém pode”. Essa frase foi dita por Antônio Salvador, presidente do Comitê de Gestão de Pessoas, que aconteceu no dia 26/07, para explicar a essência do empreendedorismo, que é investir em uma ideia, apesar de perdas iniciais, e colher bons resultados no futuro.

Mas de nada adianta buscar iniciativas empreendedoras se os funcionários dentro da companhia são impedidos de sugerir mudanças e desenvolver soluções inovadoras. “Hoje em dia, os empresários sabem que sozinhos não vão fazer uma grande empresa. Eles vão precisar do interesse de vários pequenos empreendedores dentro da organização”, afirma Pamella Gonçalves, gerente de serviços aos empreendedores da Endeavor.

Ela foi uma das palestrantes do comitê, realizado pela Amcham-São Paulo, que também contou com a presença de Rajesh Rani, diretor da Next, da BOX1824, e Pedro Sirotsky Melzer, diretor de gestão de early stage da e.Bricks, empresa do Grupo RBS de Comunicação.

Para estimular cada profissional na companhia, Pamella Gonçalves, da Endeavor, aponta que o intraempreendedorismo deve ser uma meta. “Existem iniciativas que funcionam, como palestras mensais e, em todas as sextas-feiras, organizar discussões por algumas horas sobre o desenvolvimento de projetos e tecnologias”, ela explica, ao mencionar que tudo isso deve estar aliado a uma política de reconhecimento. “As pessoas precisam ser premiadas por cada atitude empreendedora”, diz Pamella.

Onde estão os talentos?
Entretanto, não é todo mundo que tem o perfil de empreendedor. É o que diz Rajesh Rani, que dirige a Next, uma companhia focada em descobrir talentos para levar às grandes companhias. Ele acredita que é preciso ter um “perfil híbrido”, inquieto por uma carreira que esteja amplamente ligada a plataformas digitais e com horários e rotinas mais flexíveis.

Por isso, a Next organizou um trabalho mais apurado para encontrar esses empreendedores e convencê-los de que existem oportunidades valiosas dentro do ambiente corporativo. “Atualmente, é possível ter informação acessível a todo o momento e os talentos buscam experiências engajadoras e que possam valer a pena”, defende Rani.

“All work and all play” – essa expressão, por muito tempo, poderia ser incoerente, pois o trabalho não teria como ser associado ao prazer. No entanto, é esse o anseio dos jovens hoje em dia, segundo Rajesh Rani. Enquanto os baby boomers estavam mais interessados na rotina formal de horário, os digital natives da atualidade querem que “a velocidade de conexão com o mundo tenha o mesmo ritmo da jornada de trabalho”, defende o palestrante.

Para facilitar na identificação de talentos, a Next estruturou uma metodologia em etapas: entender o conceito de genialidade para a companhia; entrar nas universidades e instituições para verificar os nomes de destaque; conversar profundamente com cada talento (“sem entrevistas de quatro paredes, para ver ele como verdadeiramente é”); e encaixar a análise dos selecionados ao interesse da companhia. “Para atrair esses jovens, é preciso turbinar os programas de estágio e dar chance deles permanecerem na organização, em vez de programas de trainee que custam caro e vão perder a força nos próximos cinco anos”, orienta Rani.

Experimentação
“Errar é uma variável de aprendizagem para atingir o próximo nível”, aponta Pedro Melzer, que coordena a e.Bricks, que investe e apoia empreendedores. Segundo ele, inovar implica em, necessariamente, permitir a experimentação e não temer projetos que possam não dar certo e apresentar um aproveitamento no primeiro momento.

Foi isso o que Melzer conta que o Grupo RBS fez, ao criar a e.Bricks Digital em outubro do ano passado. “Olhar outros escopos para fazer bem feito e continuar a construir o empreendedorismo”, ele diz, ao defender o “overview”, ou seja, olhar para todo o ecossistema que torna a empresa viva e inovadora, como o e.Bricks Value, um suporte financeiro para novas propostas que são recebidas. Nos próximos quatro anos, o investimento previsto nesse fundo é de US$ 100 milhões em cerca de 30 novas companhias.

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