Estrangeiros que vem trabalhar no Brasil estranham burocracia na emissão de documentos

publicado 16/05/2016 13h47, última modificação 16/05/2016 13h47
São Paulo – Para contornar imprevistos, é preciso adiantar ao máximo processo de emissão de identidade e outros documentos
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A complexidade dos trâmites de admissão no trabalho surpreende os executivos de outros países que chegam para atuar no Brasil, afirma Diana Quintas, diretora executiva da consultoria Fragomen. “O executivo de outro país estranha a burocracia brasileira. A Polícia Federal, que emite o Registro Nacional de Estrangeiros (RNE), tem procedimentos diferentes de acordo com cada escritório”, observa, no comitê de Secretariado da Amcham – São Paulo na quinta-feira (12/5).

O RNE é o documento de identificação do estrangeiro no Brasil, sendo exigido pelas autoridades para trabalhar no país. “Muitas vezes, um escritório da Polícia vai fechar no dia agendado para a emissão do documento por causa da manutenção predial. Ou então porque uma alta autoridade vai passar na cidade e a equipe local foi destacada para esse acompanhamento. É difícil para o estrangeiro entender essa imprevisibilidade”, explica Diana.

Junto com o RNE, o executivo que vem de fora precisa ter CPF, carteira de trabalho e visto de permanência para atuar dentro das leis brasileiras. “Sem CPF e carteira, o estrangeiro não consegue ser registrado na folha de pagamento e no eSocial”, detalha Diana.

Como muitas profissionais de Secretariado atuarão diretamente com os executivos, elas podem contribuir para o processo antecipando demandas burocráticas. “Como o PIS é necessário para o eSocial, é recomendado providenciar logo a carteira de trabalho antes do RNE”, sugere Diana. O cadastro do PIS só é feito com a emissão da carteira de trabalho.

Se o estrangeiro trabalha sem algum desses documentos, a empresa contratante estará sujeita a multas por descumprimento de compliance e será alvo de fiscalização mais rigorosa nos próximos processos de expatriação, alerta Diana.

Para a psicóloga Andréa Fuks Ribeiro, sócia-fundadora da consultoria Global Line, a adaptação dos executivos a uma nova cultura não é fácil, “porque muda e quebra a rotina da pessoa”. Atuando como assessoras diretas, as secretárias podem tornar o processo menos traumático desenvolvendo competências interculturais com base na curiosidade, empatia e comunicação.

“A profissional daqui tem pressão por resultado e tem que se adaptar ao estilo do executivo. Mas ele também tem metas, não veio para cá à toa. Então temos que aprender a flexibilizar as lentes culturais, cooperar sem julgar hábitos e crenças e se adaptar à comunicação do estrangeiro.”

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