Eventos virtuais cativam público jovem e geram receitas com venda de conteúdo

por andre_inohara — publicado 19/03/2013 11h21, última modificação 19/03/2013 11h21
São Paulo – Mas encontros presenciais continuam sendo meio essencial para contatos profissionais e novas experiências conceituais, alerta especialista.
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As tecnologias de comunicação estão transformando o mercado de eventos corporativos e atraindo um público mais abrangente e jovem. Como consequência, eventos híbridos – congressos locais registrados e transmitidos também via web – têm ocorrido com maior frequência e os organizadores vêm refinando não apenas o conteúdo das palestras, mas também seu formato.

“Com as novas ferramentas de comunicação, é mais fácil para as novas gerações se engajarem”, diz o suíço Roger Tondeur, sócio-fundador da agência multinacional de eventos MCI.

“É possível ainda criar novos canais de receita, decorrentes da disseminação de conteúdo”, acrescenta ele. Tondeur esteve no Brasil na última semana e, na sexta-feira (15/03), participou do comitê de Viagens & Mobilidade Corporativa da Amcham-São Paulo.

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Os congressos e palestras empresariais estão cada vez mais virtuais e dinâmicos, graças a formatos de transmissão de conteúdo como o streaming (distribuição de dados multimídia pela internet) ou o webinar (conferência online), sem falar nas mídias sociais.

Essa facilidade de acesso é muito apreciada pelo público mais jovem, que tem dificuldades em acompanhar uma palestra nos moldes tradicionais, em que o conferencista apenas verbaliza sua temática à plateia, eventualmente acompanhado de alguns recursos audiovisuais.

Tondeur disse que a era dos eventos híbridos chegou em função da necessidade de mesclar a transmissão do conhecimento com seu formato. “Estamos falamos sobre mudanças no layout das salas de eventos, repensar sobre os palcos onde são feitos para tornar tudo mais interessante e estimulante”, explica.

Os gastos com tecnologia de comunicação e eventos devem continuar em alta, pois as empresas têm dado bastante atenção aos eventos em seu mix de comunicação. “Hoje, [a área de] eventos representa 22% do orçamento de comunicação e marketing, aproximadamente o mesmo gasto da publicidade tradicional, e essa é uma das tendências que mais crescem”, comenta ele.

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Receita com conteúdo

O conteúdo de um evento pode se tornar uma fonte relevante de receita para os organizadores, ao explorar nichos de mercado. Um exemplo vem do Sheraton WTC Hotel, que a cada dois anos, organiza um congresso de cardiologia com cerca de 500 participantes.

João Nagy, gerente do Sheraton WTC Hotel, disse que há muitos médicos não só no Brasil, mas em outros países, que gostariam de participar do evento, mas que se encontram impossibilitados devido a problemas de agenda ou acesso às instalações.

“Se cinco ou seis dos principais discursos apresentados, com tradução adequada, fossem gravados, talvez os organizadores tenham uma grande oportunidade de monetizar esse conteúdo”, argumenta ele.

Continuidade de reuniões presenciais

O especialista não acredita que a tecnologia acabará com os encontros presenciais. “Eventos virtuais têm que ser parte do mix de eventos da empresa. Alguns de nossos colegas alimentam certo medo de que os grandes eventos acabem e os investimentos sejam direcionados para novas tecnologias, mas não acredito nisso”, opina Tondeur.

A sócia-fundadora e diretora de redação da revista de eventos Tempos & Movimentos, Fortunée Levi, também acredita que a tecnologia não é a solução para tudo. O mais importante em um evento é a assimilação do conteúdo, que só se efetiva quando há uma relação emocional.

“Uma coisa é ter um evento de business, onde se transmitem números e dados, e que pode ser feito virtualmente. Outra é ter o lançamento de um novo produto que requer quebras de paradigma, entendimento de conceitos ou mudanças de rumo na empresa. Comprometimento só é criado pela emoção”, pontua Fortunée. Para ela, este será o desafio do mercado de eventos nos próximos anos: equilibrar a relação entre tecnologia e contato pessoal.

 

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