Evolução da terceirização, a quarteirização pretende alcançar melhores resultados

publicado 12/02/2014 10h16, última modificação 12/02/2014 10h16
São Paulo – Conceito é conhecido como 4PL e consiste em uma empresa assumir a gestão das demais terceirizadas
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Se é comum ver companhias que atuam com várias outras terceirizadas suprindo elos de suas cadeias, especialistas afirmam que a tendência em breve será ver uma outra empresa administrar os processos de todas as demais. É a chamada quarteirização, conhecida em logística como 4PL (fourth-party logistics), e pode elevar os resultados do cliente, segundo Hans-Jürgen Klose, sócio de Supply Chain da KPMG, que esteve no comitê aberto de Logística da Amcham – São Paulo, na terça-feira (11/02). (confira a apresentaçao completa aqui).

O conceito 4PL, que já está em curso em países da Europa, consiste na contratação de uma empresa para gerir e integrar todas as outras terceirizadas na cadeia do cliente. Essa gestora se diferencia das demais por não possuir ativos envolvidos no processo, atuando com a parte de inteligência.

“O provedor logístico atua em toda a cadeia de suprimentos. Ele faz a integração do supply network, entra na produção do cliente, gerenciando a cadeia”, explica. “Na Europa, isso começou com as empresas de consultoria em logística, que passaram a fazer essa operação”, complementa.

Tendências

No Brasil, o tema merece atenção especialmente pelo incremento de investimentos a longo prazo em infraestrutura e o crescimento de exportações e importações pelo país, destaca o executivo alemão.

Somados a esses fatores conjunturais, ele ressalta a perspectiva de aumento de transporte intermodal no país, a expectativa de ampliação dos requisitos do cliente final (como individualização, transparência, disponibilidade e velocidade), a crescente sensibilidade ambiental, além da criação de oportunidades com offshoring e outsourcing.

O que pode demandar a adoção do 4PL é a adoção de novos modelos de negócios, como o que foi feito pela rede Ikea, especializada na venda de móveis de baixo custo. “A cada cinco anos a Ikea muda fábricas de lugar, em busca de vantagens como mão-de-obra mais barata”, comenta Klose.

Assim como a estratégia de diversificação geográfica de produção e de fornecedores, outros desenhos do negócio podem se alterar, à procura de menores custos, riscos e maior rentabilidade. “Talvez no futuro as empresas não atuem mais em cadeia, mas em redes”, diz.

Vantagens

Em negócios tão dinâmicos, em meio à competição global, será cada vez mais premente a demanda por informações em tempo real, para facilitar tomadas de decisão. Klose cita como exemplo supermercados que funcionam sem estoques. A gestão das vendas das lojas em tempo real permite a reposição, a partir de uma central, específica para cada unidade. 

“A quarteirização permite a identificação precoce dos problemas na continuidade da demanda e do fornecimento antes que a produção e o faturamento, por exemplo, sejam afetados”, evidencia. “O novo modelo logístico, bem feito, pode aumentar as vendas da empresa, porque ele está dentro do negócio. Isso traz impacto nos custos operacionais, no estoque e nas vendas”, acrescenta.

Para atingir esses resultados, consequentemente os indicadores logísticos passarão por mudanças, alterando também a remuneração, afirma Klose. Eles serão definidos a partir de serviço e performance, e não por volume, peso e distância, por exemplo. Na prática, serão novos contratos a médio e longo prazo.“Para tornar-se parceiro no supply chain, é evidente que o modelo de corporação entre provedor e cliente evolua”, define.

A seguir, a íntegra da apresentação de Hans-Jürgen Klose no comitê aberto de Logística da Amcham- São Paulo:

 

 

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