Explosão demográfica e novo papel dos emergentes estão por trás das megatendências digitais

publicado 18/11/2014 15h41, última modificação 18/11/2014 15h41
São Paulo – Estudo da PwC indica maior conectividade entre equipamentos
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Uma transformação digital global está se desenhando para as próximas quatro décadas, com maior conectividade entre equipamentos. O cenário futuro será impulsionado pela explosão demográfica, surgimento de megacidades e a mudança do papel dos países emergentes na economia mundial, mostra um estudo da PwC apresentado no Fórum de Conectividade e Mobilidade da Amcham – São Paulo, terça-feira (18/11).

O evento também reuniu executivos de empresas e entidades do setor, que discutiram ambiente regulatório, tendências e conteúdo e modelos de negócios (leia mais aqui).

A PwC estima uma expansão robusta do PIB dos países do chamado E7 (sete emergentes: Brasil, Rússia, China, Índia, Indonésia, México e Turquia), que deve chegar a 2050 em US$ 138,2 trilhões, à frente dos US$ 69,3 trilhões do G7 (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá).

Para efeitos de comparação, em 2009 esses PIBs eram de US$ 29 trilhões (G7) e US$ 20,9 trilhões (E7). “O E7 vai contribuir mais à economia”, diz Sérgio Alexandre Simões, partner de Digital, D&A and Customer Leader da PwC, que moderou os três painéis do fórum.

Novo público

Em 2050, os aposentados (com mais de 60 anos) serão 21% da população. Em 2010, eram 10%. “Esses que se aposentarão em 2050 são os jovens de hoje, e o fato de já estarem conectados demonstra uma necessidade futura diferente da dos aposentados de hoje”, comenta.

A expectativa é de que a população urbana cresça 72% até 2050, com o aumento do número das megacidades pelo mundo, sendo duas delas no Brasil: São Paulo e Rio de Janeiro - Belo Horizonte será considerada “quase” megacidade.

Com uma população de 8,3 bilhões de pessoas em 2030, o mundo precisará de 50% a mais de energia, 40% a mais de água e 35% a mais de comida.

“Com isso, o cenário será de equipamentos mais conectados do que as pessoas, regulações e uma presença massiva de computação em nuvens, mobile, mídias sociais e analytics”, completa Simões, que mediou os três painéis do fórum.

O que o mercado está fazendo

Se a internet já revolucionou a vida das pessoas e empresas, a internet das coisas vai trazer outra fase de impacto, aposta a indústria. “Já existem 7 milhões de coisas conectadas, o que vai trazer novo paradigma de competitividade. É oportunidade de se reorganizar e tirar proveito dessa reorganização”, comenta Maximino Leite, diretor de Internet das Coisas da Intel.

Comunicação, logística e energia serão as três grandes áreas impactadas pelos produtos e serviços que podem ser realizados por meio dos aparelhos conectados. Para isso acontecer, a arquitetura da rede terá de ser aberta e baseada em padrões. “O Brasil talvez seja o maior mercado conectado em nível mundial, do Sul à Amazônia”, observa.

Smartphone

Se casas inteligentes estarão conectadas com prestadores de serviços e comércio, por exemplo, o principal elo de integração será o mobile, diz Roberto Soboll, diretor de Produtos Mobile da Samsung. “O celular já revolucionou a fotografia, a música, as mensagens e outras ferramentas para a internet, nos últimos 15 anos. Agora, vai mexer na casa das pessoas”, exemplifica.

Ele diz que os wearables (gadgets usados como acessórios, a exemplo do Google Glass e do iWatch) ainda estão “nos primórdios, com muito para acontecer”. “O smartphone sempre vai ser o centro da vida do usuário, que acorda com ele. Será o melhor hub para internet e fará toda a integração”, assegura.

Analytics

Os aplicativos também entrarão numa nova fase, baseada em analytics, com cruzamento de dados do cliente disponíveis na internet. “A mobilidade estava no business to consumer e agora vai transformar o business to enterprise”, afirma Henrique von Atzingen do Amaral, executivo de Mobile e Social da IBM.

Ele cita como exemplo um aplicativo que reúne informações de companhias aéreas, clientes e de condições dos voos e aeroportos. Se um motivo ocorrido durante um voo inicial provocar a um passageiro a perda da conexão, o aplicativo pode adiantar a solução ainda no ar. “A aeromoça poderá encaixá-lo em um próximo voo e até fazer o checkin enquanto estiverem no primeiro avião”, explica. “Todo esse conceito dá uma ideia sobre a jornada pela qual vamos passar”, destaca.

Uma das empresas que estão se preparando para novos serviços na internet das coisas é o Viber. Atualmente, a empresa oferece aplicativo que permite troca de textos e mensagens de voz entre pessoas e por grupo, em plataformas mobile e desktop. “Agora nosso desafio é consolidar não só como aplicativo de comunicação, mas de outras experiências, abrangendo a internet das coisas”, conta Luiz Felipe Barros, diretor geral do Viber no Brasil.

Como os dados de todos esses clientes estarão interligados e disponíveis, o setor já está investindo em segurança para a internet das coisas. “Estamos fazendo com que essas conexões evoluam com segurança”, declara Bruno Zani, gerente de Engenharia de Sistemas da Intel Security.

Segundo o engenheiro, a segurança tem de estar já no próprio dispositivo do usuário e não apenas na aplicação. “Precisamos pensar que a empresa que disponibiliza o acesso on line não tem como garantir que o usuário não vá baixar algo pirata. Pensamos em segurança também do lado do negócio”, ressalta.

 

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