Falta de “visão ampla” dificulta adoção de sistemas de apoio em logística, aponta especialista

publicado 03/08/2016 12h59, última modificação 03/08/2016 12h59
São Paulo - Empresas devem consolidar estratégia antes de usar novas tecnologias no supply chain
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As empresas ainda falham na implantação de sistemas de apoio em logística por não olharem para o processo de forma ampla. A avaliação é do Thiago Duffles, Diretor da Integration Consulting, empresa que presta consultoria de estratégia, gestão e processos para companhias. "Nos últimos dez anos, vimos muitas empresas implantando sistemas e voltando atrás na decisão. O que acontece é que falta uma visão mais ampla na implementação de processos mais complexos. Vimos a área de tecnologia da Informação (TI) liderando muito coisa, quando quem deveria liderar eram as áreas de logística e supply chain", explicou o especialista durante o comitê de logística da Amcham, em São Paulo na terça-feira, dia 02/08.

Duffles afirma que é necessário discutir a estratégia da consolidação desses sistemas e construir uma estruturação mais geral em cima do projeto, definindo quem dentro da empresa vai liderar o processo e investindo em capacitação para os colaboradores aprenderem a usar essas novas ferramentas. O especialista alertou ainda para consolidar projetos grandes aos poucos e não pular etapas. “O ideal é fazer um piloto para aprender", exemplificou.

Para Marco Dominguez, Gerente regional de Operações da Nestlé, a inteligência interna no supply chain é o mais importante na hora de usar esses sistemas para auxiliar na cadeia logística. "É só quando a equipe bota a mão na massa que entendemos os gaps. A TI é o suporte e não a solução. Quem entende é que vai desenhar o processo e tentar trazer as necessidades do negócio", afirmou. A companhia usa ferramentas para monitorar o transporte de cargas, acompanhando todas as etapas do processo (entrega, retirada, aceitação da carga e entrega final). A complexidade e capilaridade da empresa exigiu o uso de novas tecnologias na roteirização das entregas.

A Whirpool também usou um sistema de apoio para roteirizar e otimizar sua distribuição. Joel Queiroz Jr, Diretor de Logística da empresa, conta que antes a roteirização e a montagem de carga eram manuais, o que tornava o processo mais lento. Com uma parceria com a Neolog, empresa que desenvolve soluções de logística para companhias, desenvolveu um projeto durante oito meses para efetivar o uso de um sistema de apoio.

O especialista contou que foi necessário passar por diversas etapas como o entendimento das necessidades das empresas e desenhos de novos fluxos de entrega para efetivar a mudança. A empresa também acompanha o funcionamento do sistema para melhorar a execução de forma contínua. A mudança conseguiu otimizar o espaço dentro dos veículos de entrega, aumentando o volume de carga em um mesmo frete, e montou toda a parte de roteirização de entregas, deixando essa etapa mais rápida. "Não adianta ter sistema se não tiver os melhores processos. Primeiro temos que entender os processos, fazer uma reflexão sobre os colaboradores, oferecer treinamento e capacitação para aí pegar a ferramenta, aplicar dentro processo e fazer a melhor entrega", finalizou.

Tendências

No Brasil, Duffles afirma que novas tecnologias relacionadas ao mobile e a transportes tem evoluído de forma rápida, com a intenção de otimizar serviços e reduzir custos. Ele cita exemplos de aplicativos de contratação de frete colaborativo ou mesmo empresas que desenvolvem seus próprios aplicativos. Em relação a tecnologias mais avançadas - como a impressora 3D, Internet of Things (IOT) e big data -, o especialista vê um avanço mais lento no País, ao contrário do que está acontecendo nos Estados Unidos. “Acho que há a tendência que essas tecnologias dos EUA venham para o Brasil, mas o timing ainda é incerto”, avaliou.

 

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