Falta de profissionais para área de compras corporativas inflaciona salários

por daniela publicado 15/02/2011 12h26, última modificação 15/02/2011 12h26
São Paulo- Para diretora de RH do Hospital Albert Einstein, soluções passam por ensino e treinamentos específicos, além de atrativos à geração Y.
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A escassez de mão de obra para os departamentos de compras das empresas no Brasil está inflacionando os salários. O momento positivo da economia brasileira e a ampliação do volume de negócios causam uma disputa acirrada entre as organizações por profissionais já experientes.

“No País, foi pouco explorado o desenvolvimento específico de pessoas nesse segmento. Tradicionalmente, essa área foi marcada por estar recebendo pessoas mais antigas nas companhias, que adquiriram conhecimento no dia a dia das operações. Hoje, com o mercado aquecido, as empresas buscam pessoas com experiência, o que implica em elevação das remunerações”, destacou Miriam do Carmo Branco da Cunha, diretora executiva de Recursos Humanos do Hospital Albert Einstein que participou nesta terça-feira (15/02) do comitê estratégico de Executivos de Compras da Amcham-São Paulo.

Saídas viáveis

A principal solução apontada pela especialista para essa situação é despertar o interesse de jovens ainda nas universidades. Diversos cursos superiores poderiam incluir ensinamentos específicos nas grades curriculares, especialmente os de administração de empresas e contabilidade, embora haja espaço em outros, como os de tecnologia da informação e engenharia. Na outra ponta, há espaço para a estruturação de pós-graduações ou especializações.

As organizações, segundo Miriam, também têm que se preparar para suprir o gap de mão de obra investindo em treinamentos e políticas de retenção de profissionais. “É possível elaborar planos de retenção baseados em produtividade e, para conter a alta rotatividade, alguns incentivos de longo prazo”, sugeriu.

Para a diretora de RH do Albert Einstein, as companhias devem ter mais flexibilidade para se adaptar à geração Y (nascidos entre as décadas de 80 e 90). “As regras do passado não necessariamente podem ser usadas no presente e no futuro. O jovem, quando entra em uma empresa, quer aprender, crescer rápido e fazer viagens. O foco não está somente no dinheiro.”

Perfil

Os executivos de compras preenchem cargos de confiança e devem buscar informações constantemente sobre o core business das corporações e as movimentações dos setores nos quais estão envolvidos. No caso do Hospital Albert Einstein, por exemplo, eles participam de comitês para troca de informações com médicos, enfermeiros e fisioterapautas sobre equipamentos, instrumentos, medicamentos e materiais.

“Esses profissionais devem saber técnicas de negociação e ter muita habilidade de comunicação”, salientou Miriam.

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