Foco no caixa com ‘visão holística’ é a saída para enfrentar desafios de 2015

publicado 10/08/2015 14h57, última modificação 10/08/2015 14h57
São Paulo - Cenário projeta riscos de queda de vendas, inadimplência, custo financeiro e desperdício
jose-othon-almeida-5393.html

As projeções para 2015 mostram um cenário de riscos de queda de vendas e de aumento de inadimplência, custos financeiros e desperdícios. A saída é voltar a atenção para o caixa, diz José Othon Almeida, sócio-líder do CFO Program Brasil da Deloitte.

“O que as organizações têm feito é dar foco total no caixa, mas com uma visão holística, em vez de parcial”, afirma o consultor, que participou do comitê aberto de Finanças da Amcham – São Paulo, quinta-feira (06/08). Renato Peixoto, diretor Financeiro da Kimberlit, também participou do encontro.

Segundo Almeida, agora as equipes financeiras devem evitar decisões apenas pontuais, mas considerar o médio e o longo prazos, já que a crise vai passar em algum momento. De impacto imediato, há decisões como redução de pessoal, reestruturação de benefícios, readequação do departamento fiscal e melhoria do processo de compras.

Já com o objetivo para mais adiante, há medidas que podem ser tomadas sobre estratégia fiscal, financiamento, redução do capital de giro, gestão de ativos, tesouraria e riscos, gestão de desempenho, investimento de capital e maximização de receita.

Caixa no agronegócio

Já na Kimberlit, indústria química do agronegócio, há medidas que consideram não apenas o cenário macro, mas também as especificidades do setor, que depende de financiamento de terceiros para destinar à safra (segundo semestre) e à safrinha (primeiro semestre).

“Capital de giro em empresa do agronegócio depende desses dois ciclos. O produtor rural, que recebe dinheiro pelo produto e o distribui a toda a cadeia, só recebe no final de maio e final de agosto”, explica Renato Peixoto.

Com esse aspecto mandatório, o relacionamento com instituições financeiras é estreito. Por isso, a empresa tem feito mais negócios com bancos do middle market, para ter mais acesso a comitês de crédito, diretoria e até proprietários.

Também tem optado por FIDCs (Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios), que se tornou competitivo nos últimos anos.

Outra medida foi reduzir todos os riscos do setor (climatológicos, fitossanitários, variação cambial, gargalo logístico, etc.) ao risco de inadimplência. “Foi a maneira de concentrar os riscos”, comenta o executivo. Uma equipe de crédito analisa cliente por cliente, com rating por região e cultura, por exemplo.

Outro mecanismo é a cessão de créditos recebíveis para os fornecedores, o que, de acordo com Peixoto, foi bom para todos os envolvidos. Ele conta que, antes, quando um cliente pedia mais uns dias de prazo, a operação via banco era acompanhada por custos. “Agora, eu ligo para o fornecedor e ele segura sem custo”, diz.

“Reduziu o risco do fornecedor e o nosso custo financeiro. E nos aproximamos mais, tanto dos fornecedores quanto dos clientes”, relata.

registrado em: