Fraudes e desvios provocam perdas de 7% do faturamento das empresas, aponta pesquisa da ICTS.

publicado 16/07/2014 11h26, última modificação 16/07/2014 11h26
Campinas - Comitê de Legislação discutiu os grandes gargalos da Ética nas Grandes Bancas e Corporações
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Associadas ao campo político, as fraudes e desvios não são incomuns em corporações, em especial, nas empresas de maior porte, onde a complexidade das operações é bem maior e com atuações geograficamente distantes e independentes.

Segundo pesquisa da ICTS, realizada em 2013, os impactos das fraudes e desvios tem um impacto médio no faturamento das empresas de 7%, percentual que aumenta ainda mais em empresas se uma política de combate as fraudes corporativas. 

As fraudes incluídas nessa porcentagem não se tratam apenas de desvios diretos , envolve também “presentes” oferecidos por fornecedores ou parceiros visando favorecimento em contratos e até mesmo desvio ético visando o crescimento profissional dentro da companhia.

A pesquisa da ICTS, realizada com cerca de três mil profissionais, aponta que apenas 20% dos entrevistados são aderentes à ética empresarial, e não se deixariam corromper de maneira nenhuma, outros 69% seriam flexíveis, ou seja, se deixariam corromper em algumas circunstâncias, e 11% não é aderente a ética profissional, e apresentam falta de ética em todas as ações apresentadas.

A pesquisa foi apresentada por Cassiano Machado, gerente Executivo da ICTS, no último dia 27/06, durante o Comitê Estratégico de Legislação da Amcham-Campinas.

Combate à fraude começa no recrutamento

Para Cassiano Machado, o maior desafio das empresas em relação à ética empresarial é definir o perfil ético dos funcionários desde o momento da contratação. “Infelizmente, quando estamos contratando, todas as pessoas parecem ideais para o cargo, mas nem sempre essa se torna a realidade quando o funcionário é efetivado”.

O que mais preocupa as empresas, porém é a falta de denúncia por parte dos demais quando há uma situação antiética. Segundo a pesquisa ICTS, 56% dos profissionais entrevistados apenas denunciariam um ato antiético caso fossem incentivados pela organização, e outros 52% conviveriam com atos antiéticos sem problema algum.

“Vivemos em um mundo extremamente individualista, as pessoas não denunciam, pois além do medo da represália, há ainda o pensamento de que se o indivíduo está realizando seu trabalho da maneira correta, ele não tem que se importar com os demais”, aponta o executivo da ICTS.

A pesquisa aponta ainda que 38% dos entrevistados aceitariam suborno para beneficiar um fornecedor e que outros 40% aceitariam presentes.

Evitar perfis antiéticos dentro da empresa se torna cada vez mais um processo demorado e que exige atenção aos mínimos detalhes, e não há uma forma correta de fazê-lo, isso varia muito em cada ambiente e cultura empresarial.

Ele aponta alguns itens aos quais todas as empresas devem ficar atentas e que ajudam a combater possíveis fraudes:

- Ter regras claras e conhecidas;

- Estrutura organizacional preparada e efetiva;

- Código de Ética objetivo e simples;

- Mecanismos de combate adequados e disponíveis para todos os níveis organizacional;

Além das medidas preventivas, outros detalhes devem ser sempre alvos de atenção na hora de evitar a má conduta empresarial. “É necessário saber como agir, analisar a punição devida ao caso, e dar feedback ao demais funcionários.”

 

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