Gerenciamento de risco reduz roubos e otimiza processos em logística

publicado 28/10/2015 14h30, última modificação 28/10/2015 14h30
São Paulo – Gestores da Sony e da Continental Pneus comentam soluções no comitê de Logística
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A divisão de eletrônicos da Sony conseguiu reduzir de 100 para dois o índice de roubos de 2011 para 2015, e aumentar o de recuperação de mercadorias de 44% para 71%. Tudo após desenvolver o gerenciamento de riscos. Já a Continental Pneus investiu em melhorias de processos para garantir o abastecimento ideal em seus armazéns, pelo tempo adequado, sem afetar a vida útil dos pneus.

Os casos das duas empresas foram compartilhados no comitê de Logística da Amcham – São Paulo na sexta-feira (23/10).

Processos, tecnologia e pessoas

Diferentemente de outros países em que as catástrofes naturais aparecem como as principais preocupações da logísticas, o Brasil é um dos destaques mundiais em roubo de carga, ao lado de países do sul africano e do México. A possibilidade de venda de produtos roubados por e-commerce e a exposição causada por ineficiências do processo são os principais estímulos, comenta Alvaro Barizon, diretor de Logística da Sony.

“As quadrilhas são tão organizadas quanto empresas. e regiões que antes não se destacavam no mapa do roubo de cargas, como o Nordeste, passaram a figurar nas estatísticas”, diz.

Responsável pela logística de produtos de áudio, vídeo e câmeras digitais, a equipe de Barizon desenvolveu uma área de gerenciamento de riscos em 2011, cujo trabalho concentrou a atenção em processos, tecnologia e pessoas adequadas.

Entre os muitos processos que passaram por modificações, está o transporte da fábrica de Manaus-AM para o centro de distribuição, em Cajamar-SP. A empresa adotou a cabotagem em parte do percurso. “É importante fazer plano abrangente e robusto de seguro, específico para o produto e a distribuição”, comenta.

A equipe lança mão de um aparato de recursos tecnológicos, utilizados estrategicamente em cada etapa das operações. O plano de gerenciamento também inclui avaliação do tráfego das informações dos processos, como os caminhos por onde elas circulam e as pessoas que as acessam. “Descobrimos que muitas informações não eram importantes ao processo, mas eram frágeis e estavam distribuídas para muitas pessoas. Cortamos o fluxo de informação onde não era fundamental”, conta.

Além do sucesso nos índices contra roubos de carga, houve melhora contra acidentes, caindo de 100 para 16, em cinco anos.

Abastecimento exato

O gerenciamento de risco da Continental tem como um de seus objetivos eliminar problemas de abastecimento. A equipe elegeu a melhoria de processos como caminho para encontrar o equilíbrio entre tempo de armazenagem e quantidade de pneus, considerando a vida útil dos produtos.

Uma das ações foi estudar a demanda gerada pela área comercial, a partir de um planejamento de vendas para 12 meses. Paralelamente, os profissionais estudam as estatísticas de compras dos clientes e as oportunidades que cada um pode ter em sua região de atuação.

“Fazemos duas análises: sobre o que vendemos e sobre o que ele vende”, comenta Lucynara de Oliveira, gerente de Supply Chain da Continental Pneus. “São estatísticas e oportunidades levantadas com o pessoal de inteligência de mercado para oferecer produtos na região que antes não se tinha ideia. Ao mesmo tempo, esse trabalho garante que o input comercial seja o mais exato possível”, explica.

Todos os processos envolvidos, desde a fábrica em Camaçari-BA ao escritório comercial em Jundiaí-SP, passam por avaliações. A empresa também faz ações específicas para assegurar armazéns adicionais, transporte extra e pré-carregamento, todos a partir de contratos e pré-contratos. 

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