Gestão centralizada de recursos no Magazine Luiza gera eficiência e reduz custos

publicado 11/09/2013 17h13, última modificação 11/09/2013 17h13
São Paulo – Perfil do profissional de tesouraria tem que ganhar contornos estratégicos
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Quando o ritmo de crescimento da rede de varejo Magazine Luiza disparou nos últimos anos, ficou claro para a área financeira que era preciso fazer duas coisas. A primeira era manter a gestão do departamento de tesouraria centralizado, para não perder o controle da demanda de recursos financeiros, e a outra era convertê-la em parceira de negócios, para que o grupo pudesse dar as respostas mais adequadas às diferentes e constantes necessidades de caixa.

“Em uma organização grande, é difícil a opinião da Tesouraria prevalecer em todas as áreas. Cada uma delas toma as decisões que consideram as mais apropriadas, e depois é preciso correr atrás de recursos. Ao mesmo tempo, precisamos ter eficiência na gestão de caixa, pois economiza dinheiro e minimiza riscos”, disse Luciano Baladão, gerente de Tesouraria do Magazine Luiza.

Baladão participou do comitê de Finanças da Amcham-São Paulo na quarta-feira (11/9), juntamente com José Othon Tavares de Almeida, Líder da Deloitte no Brasil para a Indústria Manufatureira. Entre as principais atribuições da equipe de Baladão, estão a captação de funding (origem de recursos) nas condições mais vantajosas possíveis para o grupo, proteção contra risco de perdas e gestão de dívida.

A tarefa de garantir recursos para toda a empresa só tem aumentado. De 2001 para cá, o faturamento da rede passou de R$ 600 milhões para R$ 9,1 bilhões no final de 2012. As 111 lojas do período agora são 733, multiplicadas por aquisições e expansão orgânica.

Parte do crescimento geográfico veio da compra das varejistas Maia e Baú nos três últimos anos, que adicionaram 240 lojas à rede. Os mais de 23 mil funcionários atendem uma base de 30 milhões de clientes, sendo que 30% deles são ativos.

Negócios e atuação estratégica

A expansão da rede também criou um novo cenário para os fornecedores, que não evoluíram no mesmo ritmo. Como muitos deles eram estratégicos, o Magazine Luiza decidiu criar uma operação financeira vantajosa para todos.

Muitos tinham dificuldades de funding e descontavam títulos (a receber) no mercado [para adiantar o dinheiro da venda de bens]. O Magazine Luiza montou uma mesa de operações que compra o titulo do fornecedor, respeitando limites pré-determinados, e também faz transações com bancos, para que eles descontem os títulos com o aval da rede.

“Com essa operação estou gerando receita para a rede e dou funding mais barato ao fornecedor, porque o custo deles passa a ser o nosso risco. O lucro dessas operações cobre todos os custos da área financeira, e ainda teremos oportunidade de triplicar o valor em até dois anos com novas atividades”, comenta Baladão.

A criação de oportunidades de negócio pela equipe de tesouraria faz parte do contexto de aproximar a área financeira de uma atuação voltada ao retorno financeiro. “O tesoureiro começa a se aproximar dos negócios para entender os objetivos da empresa. Ele começa a ser exigido para entregar a estratégia que dê o melhor resultado financeiro”, afirma José Othon Tavares de Almeida, Líder da Deloitte no Brasil para a Indústria Manufatureira.

A onda de especialização atingiu também a área financeira. Os profissionais precisam saber gerir os recursos da companhia, conhecendo as particularidades de cada segmento, e também fazer isso melhor que a concorrência.

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