Gestão de fornecedores deve considerar riscos e proposta de valor

publicado 29/01/2016 15h50, última modificação 29/01/2016 15h50
São Paulo – Mal gerenciado, relacionamento pode afetar a atividade da contratante e até render dívidas
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Para evitar perdas diversas que vão da paralisação da atividade a condenações judiciais, a gestão de fornecedores deve encarar os riscos inerentes às contratações, além de alinhá-las à proposta de valor da empresa. O assunto foi discutido no comitê estratégico de Supply Chain da Amcham – São Paulo na quinta-feira (28/01), que contou com as apresentações de Celso Mascari, sócio da PEP Consulting, e Marco Antonio Bueno, diretor de Riscos e Compliance da CPFL.

“Deve-se fazer antes a gestão de risco para evitar problemas depois”, afirma Bueno. Da mesma forma, para evitar equívocos na própria atividade da contratante, o relacionamento com os fornecedores deve estar alinhado com os pilares da organização. “As diretrizes da gestão de fornecedores dependem sempre da estratégia do negócio, que devem se desdobrar em toda a cadeia”, adverte Mascari.

A gestão dos fornecedores é um dos riscos administrados por Bueno. A companhia de energia tem, em seus contratos, cerca de sete mil funcionários terceirizados (os diretos são oito mil). Os contratos considerados estratégicos ou de risco são monitorados por uma equipe capacitada e treinada que passa um pente fino em informações financeiras, técnicas, jurídicas, de segurança e documentação (guias de recolhimento, INSS, FGTS, CEIS, etc).

Para cada aspecto e pontos analisados, há uma nota mínima aceitável na classificação dos fornecedores. “Cada score está associado a um rating do fornecedor que vai permitir fazer a gestão”, comenta.

É possível antever se a terceirizada terá problemas que podem levá-la à insolvência, como alto volume de ações judiciais ou dificuldades financeiras. Um sinal comum deste último caso, diz o executivo, é se a empresa constantemente solicita adiantamentos. Problemas de segurança, como aumento de acidentes, também podem se desdobrar em consequências na justiça e no caixa.

O trabalho de gestão de risco de fornecedores começou a ser feito pela CPFL em 2013 e chegou à maturidade em agosto de 2015, conta o diretor. Ainda não há números fechados, mas as estimativas indicam queda drástica de acidentes de trabalho e afastamentos, redução de 30% a 40% em custos trabalhistas e incremento na qualidade dos serviços prestados.

“O fornecedor está mais preparado, tem mais longevidade, entrega com mais qualidade e se expõe menos. À medida que você cobra, ele se sente pressionado a fazer coisas que talvez não faria se não fossem demandadas pelo contratante”, analisa.

Proposta de valor

Celso Mascari destaca que as estratégias da empresa vão indicar os aspectos que devem reger a relação com os fornecedores. O primeiro ponto é deixar clara a proposta de valor, para que os serviços e as condições sejam alinhados a ela.

É necessário, ainda, considerar o mercado e o segmento em que se está inserido. “Dependendo do segmento, tempo de entrega é o mais importante, como no caso dos produtos com validade curta”, exemplifica o consultor.

Outros pontos também precisam ser bem definidos para a gestão ser eficiente, como a expectativa que se tem sobre o fornecedor. Essa informação permite definir o tipo de barganha, por exemplo.

“Para cada cadeia há um perfil de comportamento. Se a companhia abastece um mercado familiar, a relação e as condições são diferentes das praticadas com os hipermercados”, compara.

A avaliação também deve seguir essas premissas. Se há cadeias concorrentes com propostas de valor distintas, elas também serão medidas de forma diferente. Cadeias diferentes operadas ao mesmo tempo precisam ser alinhadas com o cliente, ressalta o palestrante.

Para Mascari, a palavra de ordem na gestão dos fornecedores é coerência. “O processo de avaliação dos fornecedores só faz sentido cm esses pontos definidos”, cita.

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