Gradual: pessimismo com economia brasileira é exagerado

publicado 20/02/2014 16h04, última modificação 20/02/2014 16h04
São Paulo – André Perfeito, economista-chefe, discorda que o Brasil esteja entre economias mais frágeis
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O pessimismo do mercado em relação à situação econômica brasileira é exagerado, de acordo com o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito. “Nossas reservas cambiais estão elevadas e o mercado interno é pujante. Tudo isso acaba gerando mais possibilidades”, ressaltou no comitê estratégico de Supply Chain da Amcham – São Paulo, que se reuniu na quinta-feira (20/2).

Como exemplo da solidez da economia nacional, Perfeito citou a relação entre reservas cambiais (US$ 376 bilhões) e importações (US$ 19,9 bilhões), que permitiria ao país manter o nível atual de compras internacionais por 18,9 meses. Essa relação é mais que o dobro da Coreia do Sul (8,08 meses) e três vezes superior à do México (5,6 meses).

Mudanças econômicas foram abruptas

Para ele, um fator que causou ruído junto ao empresariado foi a forma abrupta do governo federal tomar decisões. Um exemplo foi o corte dos juros pelo Banco Central (5,25 pontos entre julho de 2011 e março de 2013), o que mudou, segundo o economista, o cenário econômico e achatou as margens de retorno dos investimentos. “O que vivemos nos últimos anos foi justamente o processo de queda das taxas de rentabilidade como um todo”, explicou.

De acordo com os cálculos de Perfeito, em 2005 a taxa de juro real (juro nominal menos inflação) era de 12,31% e em setembro de 2013, caiu para 3,64%. A rapidez com que as taxas de retorno caíram, devido à redução acentuada do juro, causou uma “revolução monetária” no Brasil. “A ideia de revolução vem do fato de que os juros reais do Brasil foram cortados em velocidade abrupta. O ritmo de queda, embora desejado, foi muito acelerado [comprimindo as margens de retorno]”, comenta ele.

Para ilustrar, o economista usa o exemplo do setor energético. Muitos contratos de concessão são de 1993, quando o Plano Real não havia sido adotado na economia e as taxas de retorno eram mais altas que a atual, pois embutiam os riscos de uma economia que na época era mais instável.

Vinte anos depois, com os fundamentos econômicos consolidados e na hora de renovar os contratos, a presidente Dilma (Rousseff) disse aos empresários que a taxa de retorno da economia caiu e os parâmetros mudaram. O tom usado no discurso da presidente foi considerado muito ríspido, disse Perfeito. “O fato de ela ter agido de forma abrupta gerou pânico completo entre os empresários, que interpretaram que a presidente queria negociar contratos com menor taxa de retorno”, destacou.

A ascensão das classes C e D

Além disso, a política de inclusão social do governo federal também foi feita de forma acelerada. A ascensão das classes C e D, segundo o economista, muda toda a estrutura da economia nacional. Em contrapartida, o aumento da renda dos trabalhadores foi maior que o da produtividade dos empresários. O aumento da riqueza nacional acabou vazando, disse. “Ajudamos outros países mandando turistas para fora e comprando importados.”

Apesar das incertezas de curto prazo, o economista considera que o Brasil é ainda uma boa opção para os investidores internacionais e acha que os problemas da economia brasileira vão se resolver lentamente.

Perfeito defende que o pessimismo é localizado mais na indústria financeira que entre os empresários industriais e de serviços. Ele lembra: “Temos moeda estável, democracia funcional, mercado financeiro forte e instituições maduras. Poucos países têm isso.”

Veja a apresentação de Perfeito na Amcham

 

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