Homem tem 20 vezes mais chances de ser CEO que mulher

publicado 28/08/2013 17h00, última modificação 28/08/2013 17h00
São Paulo – Pesquisa da Bain & Company ouviu 514 executivos e CEOs no Brasil
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Em 2011, 58% dos brasileiros com diploma de ensino superior eram mulheres. No início de 2013, apenas 14% dos executivos nas empresas instaladas no país eram mulheres. Nos postos de CEO, o percentual era ainda menor: 4%. E apenas 3% dos conselhos administrativos eram ocupados por profissionais femininas, como mostra o trabalho “Sem atalhos: o caminho das mulheres para alcançarem o topo”, da consultoria Bain & Company.

A pesquisa ouviu, no primeiro semestre, 514 executivos e CEOs de companhias nacionais e multinacionais - metade homens, metade mulheres-, para identificar o que impede as mulheres chegarem à liderança.  Entre os respondentes, 60% tinham entre 30 e 45 anos.

Confira a íntegra da pesquisa aqui.

“Nas promoções e indicações para os altos cargos, os homens têm 20 vezes mais chances que as mulheres”, afirma Luciana Batista, gerente sênior da Bain & Company.

Causas

Prioridades conflitantes (família x trabalho) foram o principal fator de disparidade entre os gêneros para a maioria dos entrevistados homens e mais novos. Já mulheres e homens em níveis mais seniores indicam que a diferença de estilos é barreira para as promoções femininas. “O perfil de homens e mulheres ainda segue estereótipos”, diz Luciana.

Para esse grupo, os líderes masculinos são mais propensos a indicar ou promover profissionais com estilos semelhantes aos seus. Também afirmam que alguns líderes não valorizam as diferentes perspectivas que as mulheres ofertam às equipes, ao mesmo tempo em que elas fazem “menos marketing” de suas experiências e habilidades.

A cultura dos líderes mais velhos também impacta a percepção dos entrevistados sobre a causa da disparidade. “Um grupo que chamou atenção pelo ceticismo foi o dos mais jovens, que avaliam que o viés organizacional impede a ascensão das profissionais”, comenta.

Futuro

A consultora destaca, porém, um ponto positivo: a pesquisa mostrou que o engajamento das empresas em promover a igualdade entre profissionais dos dois sexos eleva a lealdade dos funcionários.

Para ela, a entrada de uma nova geração no mercado de trabalho, mais preocupada com sustentabilidade do que os mais velhos, deve impactar o cenário nos próximos anos. “Esses se preocupam mais com eles do que com a empresa. Acredito que nessa troca de gerações vai haver mais valorização da liderança feminina”, pontua.

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