Inovação é a saída dos líderes para atravessar as dificuldades que se anunciam para 2016

publicado 16/02/2016 15h46, última modificação 16/02/2016 15h46
São Paulo – Magazine Luiza, 3M, Intel, Mastercard e Acrefi contam suas estratégias para vencer a crise
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Inovar e transformar o negócio tem sido a orientação de líderes de companhias como Magazine Luiza, 3M, Mastercard, Intel e Acrefi para atravessar a crise em 2016. As saídas são sobretudo no digital, ambiente do qual não é mais possível ficar fora, segundo Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, durante o V Seminário Perspectivas Comerciais e Econômicas, na Amcham - São Paulo, terça-feira (16/02).

Além de Luiza, participaram do painel João Pedro Paro, presidente da Mastercard; Jorge Lopez, presidente da 3M no Brasil; Fernando Martins, diretor executivo da Intel; e Érico Sodré Quirino Ferreira, presidente da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento). Também se apresentaram José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, e Bruno Furtado, sócio-líder da consultoria McKinsey.

“Tem que estar mesmo no digital, não tem alternativa. Essa é a realidade”, vaticina Luiza Helena. A varejista fundada por sua família está totalmente direcionada para o ambiente digital, com funcionamento de um aplicativo próprio para vendas e ações de relacionamento com os clientes online. “Cliente na internet adora interação”, diz.

O digital, no entanto, não matará a loja física, que passa por transformação. Mais de mil vendedores da rede já trabalham com smartphones para efetuar vendas. Segundo a empresária, 57% dos que navegam no site ou pelo aplicativo vão até uma loja física. “Nós queremos sair de uma empresa física com uma área digital para uma empresa digital com pontos físicos”, afirma.

Os vendedores também foram liberados para fazerem seus próprios vídeos de propaganda e postarem nas redes sociais. Também com o objetivo de aumentar as vendas, os 800 funcionários da área administrativa ganharam códigos para efetuar vendas. “Os que mais venderam foram os da área financeira”, conta a executiva.

Para Luiza, o que vai livrar os negócios de virarem “commodities” será o foco em pessoas. “Inovação e atendimento vão distinguir as empresas”, declara.

Tecnologia disruptiva

A Mastercard também dá ênfase na transformação do negócio por meio da tecnologia. “A companhia está deixando de ser empresa de pagamento para ser empresa de tecnologia de meio de pagamento, uma mudança sutil”, define o presidente, João Pedro Paro.

Para ele, a grande mudança está “durante” as vendas, processo também composto das fases “antes” e “depois”. “Temos informações das pessoas, do comportamento. Estamos focados em trazer informações ao consumidor e valor à cadeia”, cita.

A partir dos dados, é possível oferecer soluções como programas de lealdade, por exemplo. “Também queremos que o cliente se sinta mais confortável para fazer o que está fazendo. O elemento fundamental é a segurança”, comenta.

A Intel também direcionou seus esforços para a inovação, respaldada pela tecnologia. “Quando a economia vai bem, tem de investir em inovação. Quando vai mal, tem de investir o dobro”, ressalta Fernando Martins, diretor executivo, aludindo à necessidade de transformação do negócio.

No ano passado, em que a economia brasileira já se encontrava em retração, a companhia vendeu duas vezes mais o serviço de computação em cluster, utilizado para empresas que precisam fazer análises de big data. “Há uma alta demanda de desempenho e essas máquinas são necessárias. Como custam cerca de 50 milhões de euros, a intel criou um centro de inovação para vender essa computação como serviço”, explica.

A grande vantagem do investimento em tecnologia, na opinião dele, é a de que o brasileiro é “permeável à inovação.” Para o executivo, a internet das coisas vai representar a segunda grande revolução digital na sociedade e nos negócios.

Ele cita a preparação por que já passa a indústria de seguros automotivos antecipando as possibilidades de mercado com a nova tecnologia. Carros conectados e monitorados, por exemplo, poderão ter um valor menor se as performances de seus motoristas forem consideradas mais seguras.

“Você abe mão da privacidade para pagar menos. Em 15 anos teremos uma grande alteração e a indústria do seguro já se modifica”, expõe. “Maior que o impacto do smartphone na vida das pessoas será a internet das coisas”, avalia. “Esse é o momento de pôr lupa na eficiência e dar pulos digitais”, destaca.

Inovação e mais valor

O cenário econômico que se projeta para o ano põe as empresas diante de questões que devem nortear seus processos. “2015 foi o último ano fácil. 2016 é um ano difícil e temos olhar como ameaça ou oportunidade”, analisa Jorge Lopez, presidente da 3M no Brasil.

O executivo afirma que as empresas precisam agir com criatividade em todas as áreas do negócio, com economia de despesas para ficar em outras ações. “Definimos ter um crescimento eficiente e controlar o que se pode controlar para navegar em economia turbulenta. É preciso ser defensivo e ofensivo”, comenta.

A inovação é a chave para a companhia, diz Lopez, com a qual é possível entregar valor e solução aos clientes, em vez de apenas produtos. Em função disso, a companhia tem feito parcerias estratégicas para desenvolver soluções customizadas, por meio de seu Centro Tecnológico em Sumaré.

Riscos no crédito

Para o setor de financiamento e crédito, as projeções para 2016 não são tão otimistas. Érico Sodré Quirino Ferreira, presidente da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento), lembra que a inadimplência é significativa e que a maioria das instituições, de pequeno e médio portes, não repete o mesmo resultado de lucros dos grandes bancos de varejo nacionais.

Incentivar crédito neste momento de crise, afirma o dirigente, é contraditório. “Não adianta oferecer crédito porque a pessoa, física ou jurídica, precisa querer e ter condições de pagá-lo, o que são duas coisas diferentes”, pontua.

Ao mesmo tempo, esse cenário compromete a rentabilidade do setor, que precisa vender crédito para ter receita. Ele destaca que o risco de desemprego também afeta esse mercado, com a queda de confiança do consumidor. “Se já há problema, não se oferece mais crédito. O problema (do país) é macroeconômico”, realça.

 

 

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