Inovação nas empresas depende de mescla de estratégia, cultura, processos e suporte

por marcel_gugoni — publicado 12/12/2012 17h13, última modificação 12/12/2012 17h13
Marcel Gugoni
São Paulo – Para especialistas no tema, melhores práticas consideram os quatro pilares e devem também estar ligadas a resultados para o crescimento da companhia.
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Quatro pilares são responsáveis pela sustentação da inovação de forma consistente nas empresas: estratégia, cultura, processos e suporte. José Roberto Dalmolim, diretor da A.T. Kearney e líder do Best Innovator no Brasil, diz que só atendendo estas quatro dimensões é possível inovar com sucesso e estruturar a busca incessante pelo crescimento sustentável da companhia. “Para gerar inovação continuamente, é preciso um trabalho estruturado. Os pilares ajudam a orientar para onde a empresa quer ir.”

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“Estratégia, cultura, processos e suporte são as dimensões que temos. As melhores práticas entram em cada uma delas”, explica o executivo. “E tudo isso tem que estar ligado a resultados, que só são gerados se estas dimensões forem bem gerenciadas.”

O comitê aberto de Inovação da Amcham-São Paulo, nesta quarta-feira (12/12), debateu as práticas de sucesso de inovação, mostrando que inovar não requer somente uma boa ideia, mas uma estratégia disseminada na empresa. “Ideias brilhantes acontecem por acaso, mas inovação contínua que dê vida longa à empresa e sucesso nos negócios é resultado de esforço contínuo e trabalho constante”, reforça Dalmolim.

O executivo é o responsável, no Brasil, por um dos prêmios que reconhecem a inovação nas empresas. Em 2012, 21 companhias foram premiadas Best Innovator por sua capacidade de inserir a inovação em seus negócios de forma sustentável. Para Dalmolim, “líderes em inovação vão além da inovação dos produtos e serviços, focando também nos processos e modelos de negócios”.

Estratégia

Olhar os quatro pilares da inovação é um quesito importante para levar a cabo o processo de melhorar produtos e processos da empresa visando ao seu crescimento. No pilar da estratégia, Dalmolim destaca que as melhores práticas decorrem do alinhamento entre a inovação e a própria filosofia da empresa.

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“A estratégia da inovação tem metas claras de criação de valor”, afirma. Trata-se de mensurar desde a percepção dos consumidores ou os benefícios aos stakeholders (fornecedores, revendedores, pontos de venda e outros) até a geração de novos negócios.

Sob esta ótica, inovar pensando nas tendências do futuro é uma oportunidade, o que requer planejamento de longo prazo. “As empresas devem olhar para as megatendências para daqui dez anos, e não ficar só no planejamento para daqui a dois ou três anos”, reforça.

Cultura

A estratégia pode ir por água abaixo caso não haja um apoio consistente das lideranças. “Na nossa cultura, o líder tende a ser o motor. Ele é o exemplo do que os funcionários querem seguir”, afirma, ressaltando a importância da disseminação da cultura inovadora.

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A 3M, vencedora do Best Innovator no Brasil, tem a inovação em seu lema. Luiz Eduardo Serafim, gerente de Marketing Corporativo da empresa, diz que a estratégia de inovação foi fundamental para manter a companhia no caminho do crescimento até hoje. Fundada em 1902, a empresa fabricava lixas e atuava com mineração. Hoje está em áreas que vão da produção de resinas médicas e de aviação até adesivos e fitas magnéticas, como o Durex e o Post-It.

“Como saímos da posição de uma fabricante de lixas para uma empresa com 55 mil itens no portfólio? A cultura da organização, de inovação como mantra coerente ao cenário competitivo do mundo, construída pela alta liderança é chave”, explica Serafim.

Dalmolim diz que a cultura inovadora tem, entre suas melhores práticas, uma boa comunicação entre os funcionários, uma tolerância maior ao erro dado o risco que se corre com a inovação e espaço para que equipes possam dedicar tempo para o debate e o amadurecimento de novas ideias.

Na 3M, os cientistas da área de pesquisa e desenvolvimento têm 15% de seu tempo livre para o desenvolvimento de projetos paralelos. Serafim diz que o espaço para criar é estimulado na empresa. Não sem motivo a companhia é dona de 43 mil patentes.

Processos

Os participantes do comitê concordam que, para inovar, as equipes precisam tanto de incentivos (como prêmios por metas atingidas) quanto de segurança (para arriscar em projetos que podem não vingar). Ter processos estruturados é essencial para que o trabalho inovador caminhe. “Uma parte da inovação pode surgir de uma conversa no café”, diz o líder do Best Innovator no Brasil. “Os processos servem para garantir que essas ideias sejam implementadas.”

Flávio Pimentel, head of corporate innovation da Ci&T, diz que a empresa trabalha com processos de open innovation, junto a clientes e parceiros, para implementar novas ideias. “Nosso melhor fornecedor de open innovation são nossos próprios clientes”, afirma. A empresa, fundada em 1995 em Campinas (interior de SP), se internacionalizou prestando serviços de TI.

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Na carteira de clientes figuram nomes como Coca-Cola, Avon, Embraer, McDonald’s e Nestlé. Segundo ele, todo o ambiente de comunicação interna é feito via redes sociais, e com isso os processos de inovação e produção contínua de melhorias pode caminhar em tempo real, de forma dinâmica. “O melhor método de mapeamento do conhecimento é deixar o fluxo acontecer”, brinca.

Cada empresa deve encontrar seu modo de aplicar o funil de inovação, isto é, separar ideias menos relevantes dos projetos que têm potencial para serem transformados em negócios. De acordo com Dalmolim, a carteira de projetos deve envolver todas as fases de desenvolvimento, com pontos de controle e objetivos de cada iniciativa.

Suporte

O suporte à inovação não se restringe somente ao apoio das lideranças, mas exige a existência de um programa estruturado de reconhecimento e desenvolvimento e de sistemas de tecnologia para registro dos processos. Criar programas de reconhecimento de inovação significa investir.

“Na 3M, temos uma meta de 5,3% [do faturamento aplicados] em pesquisa e desenvolvimento. É preciso ter recurso, cientista, criar centros de desenvolvimento”, ilustra Serafim.

Além disso,  Dalmolim destaca que é preciso que as áreas da empresa sejam capazes de envolver seus funcionários e reconhecer os que têm maior potencial para contribuir com novas ideias. Entre as boas práticas, ele destaca os programas estruturados de desenvolvimento de colaboradores e de remuneração atrelada a metas mensuráveis de inovação.

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