Inteligência competitiva ajuda a cumprir metas e a se posicionar frente a riscos

publicado 10/03/2015 15h46, última modificação 10/03/2015 15h46
São Paulo - Consultora Armelle Decaup orienta como passar do degrau da informação para o da inteligência
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A inteligência competitiva, que pode ser adotada em pequenas e grandes organizações, reúne orientações para executar o planejamento estratégico e se posicionar frente aos riscos, de forma a mitigá-los e aproveitá-los como oportunidades. Essa capacidade deve ser desenvolvida de forma multidisciplinar, explica Armelle Decaup, sócia da consultoria Defí Inteligência Competitiva, durante o comitê aberto de Vendas da Amcham – São Paulo, terça-feira (10/03).

“A inteligência apoia o processo decisório da empresa para que seja mais ágil e inteligente, diminuindo os riscos que toda decisão traz consigo”, diz.

Como consequência dos dois primeiros objetivos, a inteligência competitiva também suporta a definição das diretrizes e metas para os próximos períodos, complementa a consultora.

A equipe

Não há um formato específico para que a inteligência seja realizada dentro da organização. A estrutura depende da situação e dos objetivos, podendo se configurar como um comitê, dentro de um departamento, ou até mesmo como uma área que atue em rede para diversos setores da companhia, como vendas, produtos, inovação, jurídico, por exemplo.

O reporte depende da área em que as ações estiverem alocadas ou dos departamentos que usarão as recomendações da equipe.

“A inteligência é bem mais ambiciosa do que o mero olhar sobre o concorrente. É uma área interdisciplinar, que exige variedade dos profissionais envolvidos”, declara Armelle.

As equipes devem conter integrantes generalistas e de formação estratégica, como gestores de negócios e profissionais de marketing, mas cada vez mais essa atividade demanda outras áreas de conhecimento, dependo do foco e dos fatores que afetam o negócio (concorrência, legislação, ambiente regulatório, comportamento, etc).

O trabalho não é realizado da noite para o dia, mas de maneira planejada, adverte a consultora. “Nas horas mais sombrias correm para adotar a inteligência, mas o ideal é fazê-lo nos momentos mais calmos, para ter mais margem de manobra e não ser uma ação emergencial”, cita.

O trabalho

O ponto de partida dos trabalhos é o plano estratégico da empresa, que indicará as informações a serem coletadas interna e externamente. Os dados devem ser protegidos e estruturados de acordo com os contextos pertinentes para que sejam analisados.

“O grande desafio é se elevar do degrau de informação para o de inteligência. Não é com informações que se contribui para as decisões; a inteligência precisa de competências analíticas, e é nessa parte que a maioria falha”, comenta.

A partir disso, a equipe formula e dissemina as recomendações. “A disseminação é importante para a inteligência chegar ao processo decisório. Ela tem que, obrigatoriamente, levar a uma decisão”, afirma.

Os resultados do trabalho de inteligência também devem ser mensurados, o que permite aperfeiçoamento.

Esse ciclo deve ser realizado tanto com o objetivo de atingir as diretrizes do planejamento quanto para a vigilância. Nesse último caso, a tarefa é captar e antecipar sinais de incertezas para preparar a empresa para um posicionamento.

Armelle destaca o papel dessas equipes antes mesmo do estouro da atual crise econômica mundial, em 2008. Empresas que já realizavam esse processo começaram a enxergar os sinais em 2006, o que as levou a traçar cenários possíveis para diferentes tipos de crise. “Quem soube da crise pelos jornais, teve de se preparar emergencialmente”, conta.

Hoje, porém, quando a situação econômica é adversa e ainda incerta quanto a todos os seus reflexos, o papel da vigilância é limitado. “Vejo mais o papel de planejamento, para garantir ao menos a conquista das metas, fazer melhor com o que já se tem”, ressalta Armelle.

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