Jovem fazer parte do show explica o sucesso do Tomorrowland, segundo organizador do festival no Brasil

publicado 29/09/2016 08h24, última modificação 29/09/2016 08h24
São Paulo – Para Luiz Eurico Klotz, o festival de música eletrônica é, acima de tudo, encontro de jovens
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O que faz o Tomorrowland, um dos maiores festivais de música eletrônica do mundo, ser um sucesso absoluto? Para Luiz Eurico Klotz, diretor-geral da Plus Talent e ID&T Brasil e organizador do festival no Brasil, é a experiência que a organização proporciona para o público. "O principal é fazer com que o jovem seja parte integrante do show, não apenas um espectador. Costumamos dizer que o Tomorrowland não é um festival de música e sim um encontro global de jovens, que por acaso é um festival de música, e que por um acaso é de música eletrônica", explicou, durante encontro na Amcham - São Paulo, realizado na terça-feira (27/09).

Apesar de acontecer uma vez por ano, fazer com que a jornada do consumidor tenha um ciclo que perdure o ano inteiro é essencial para a construção de uma experiência memorável, na opinião de Klotz. "Antes do evento, a marca tem que prometer, inspirar, engajar e vender. Durante o evento, se certificar que o público vai apreciar e aproveitar aquele momento. Depois do festival, é necessário criar peças para o público relembrar e recomendar para outros", conta. Isso faz com que o público se mantenha constante e fiel ao evento, de acordo com ele.

Para Klotz, essa necessidade de construir um storytelling da marca também deve atingir quem não conseguiu comparecer ao festival. O especialista cita, por exemplo, ações como as transmissões ao vivo do festival para outros países em telões, interação intensa através das redes sociais, montar filmes antes [teaser] e depois [aftermovie] do festival são estratégias que ajudam. "Os jovens hoje não são enganáveis. Se a empresa tem um produto ou serviço que seja realmente bom, ele compra a ideia. Senão, descarta. A antiga maneira de expor a marca não funciona mais", lembra o especialista.

Tomorrowland no Brasil

O festival nasceu em Boom, cidade do interior da Bélgica, em 2005. Desde então, acontece anualmente, reunindo mais de 200 nacionalidades no evento, segundo Klotz. Em sua décima edição na Bélgica, em 2014, os organizadores anunciaram que o festival aconteceria no Brasil. Em 2015 e 2016, a cidade de Itu, no estado de São Paulo, recebeu cerca de 180 mil pessoas de mais de 65 nacionalidades por edição. Apenas no DreamVille, acampamento exclusivo do festival, ficaram mais de 20 mil pessoas.

Além dos desafios que um festival dessa magnitude traz, realizar a edição no Brasil trouxe outros desafios para a equipe. "Começou com o tamanho do país. A Bélgica é pequena se comparada ao Brasil, que tem o tamanho de um continente. A Bélgica está na Europa Central, perto de vários países, com um sistema de transportes mais consolidado. Aqui as distâncias são maiores", exemplificou.

Além disso, é necessário uma adaptação grande por parte da organização, já que a legislação dos países é muito diferente. Klotz citou questões trabalhistas, tributárias, de construção, segurança do trabalho, seguro, todas diferentes das da Bélgica.

Klotz conta que são mais de sete mil pessoas trabalhando no evento. Por isso, para que tudo aconteça conforme o planejado, o especialista considera essencial a integração entre as áreas - operação, produção, mobilidade, segurança. "Existe um software em que é possível registrar todas as ocorrências que acontecem durante esses dias. Assim, todas as áreas sabendo da ocorrência, seja ela pequena ou grave, podem mandar imediatamente para o local algum tipo de apoio, se necessário", compartilha.

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