Jovens da periferia e trabalhadores urbanos são os públicos que mais movimentam consumo

publicado 02/03/2015 10h54, última modificação 02/03/2015 10h54
São Paulo – Juliana Azuma e Paulo Cidade expõem dados da Serasa Marketing Services e da TNS
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Jovens da periferia e a massa de trabalhadores urbanos são os grupos que mais se destacam entre os consumidores do Brasil, segundo a pesquisa Mosaic Brasil da Serasa Marketing Services. “Essa classe é a que tem movimentado o consumo”, comenta Juliana Azuma, superintendente da unidade.

O consumidor também está mais digitalizado, com 43% da população conectada (uso semanal), como mostra o levantamento Connected Life 2014, da TNS, realizado em 50 mercados. O Vietnã tem 50%, o Reino Unido, 80%, e a Noruega, 92%. A maior parte do acesso brasileiro é via celular. “O desafio é determinar se a gente já chegou a um ponto de maturação ou não da penetração da internet”, diz Paulo Cidade, diretor de pesquisa da empresa que integra o grupo WPP.

Juliana Azuma e Paulo Cidade foram os convidados do comitê aberto de Marketing da Amcham – São Paulo, que na sexta-feira (27/02) abordou tendências e comportamento do consumidor brasileiro.

O Mosaic detectou 11 diferentes segmentos de consumidores (veja os perfis abaixo). Além dos jovens da periferia (16,8%) e da massa de trabalhadores urbanos (14,32%), todos com renda média de R$ 1.000 mensais, outro que se evidencia é o de donos de pequenos e médios negócios, 5,87% da população que ganham mais de R$ 3.000 mensais e se concentram no sul e sudeste. “Antigamente essas pessoas tinham uma figura mais difusa, hoje já são um segmento mais distinto”, cita Juliana.

Esses grupos foram os que mais apareceram entre os consumidores pesquisados na base do Serasa Experian entre 6 de janeiro e 6 de fevereiro, representando quase metade do público consultado (8,5% da população total do país).

“Mas também são os grupos com maior inadimplência, o que mostra que esse jovem ainda não sabe os limites do consumo. Isso não é uma barreira, mas as empresas têm de saber o que fazer para vender para eles”, alerta a executiva.

O grupo de jovens da periferia, porém, continua a se destacar pela conectividade. O acesso à informação, acrescenta Juliana, faz com que esses jovens influenciem suas famílias e a comunidade. São, naturalmente, mais propensos a produtos eletrônicos. “A internet deu inclusão a esses jovens”, pontua.

A web na mão

Essa característica dos jovens da periferia não está isolada da conectividade, outra tendência do consumidor brasileiro. O acesso se dá principalmente pelo celular, do qual a população já apresenta dependência, indica o trabalho da TNS. “Isso faz com que o país seja um mercado multi-device (vários dispositivos) e mobile-centric (tarefas de várias naturezas concentradas no celular, numa tradução livre)”, afirma Paulo Cidade.

Os usuários brasileiros (de todas as faixas etárias e sexos) possuem 3,9 aparelhos conectados, mais do que a média mundial, de 3,6. No entanto, navegam por menos tempo. Quem mais permanece online são as mulheres e os jovens de 16 a 24 anos.

Há uma multiconectividade, combinando uso vigoroso de mensagens instantâneas, fotografias e vídeos, redes sociais, jogos e navegação. Por isso há uma grande expectativa sobre a internet das coisas, considerada o próximo paradigma da área. “Será uma das principais novidades, mas ainda não temos noção do uso de todas as informações de uma casa conectadas pela tecnologia. Vamos ter acesso a informações sobre nosso comportamento, como o uso da água”, exemplifica o diretor.

Apesar da fluência na internet, ainda há desconfiança nos processos de e-commerce, como a qualidade e autenticidade dos produtos, assim como a cobrança do frete e o prazo de entrega são motivadores. “A confiança ainda é a maior barreira para a fácil adesão ao e-commerce no Brasil”, avalia Cidade.

Juliana, da Serasa, destaca que o uso maciço e crescente de mídias online permitem informações 100% precisas. “As métricas vão reverberar muito mais dentro das empresas, porque as mídias digitais permitem calcular os ROI’s (retorno de investimento) cada vez mais facilmente”, opina.

 

 Fonte: Pesquisa Mosaic Brasil, do Serasa Experian Marketing Services

 

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