Jovens executivos podem aprender a liderar com a experiência dos profissionais maduros, sugere diretor de RH da Itautec

por andre_inohara — publicado 08/03/2012 18h08, última modificação 08/03/2012 18h08
André Inohara
São Paulo – Segundo ele, geração Y está mais capacitada a assumir desafios técnicos, mas carece de vivência em liderança.
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Os profissionais da chamada Geração Y, jovens nascidos a partir da década de 1980, estão assumindo cargos de liderança mais cedo, graças à facilidade com que dominam novas tecnologias e executam tarefas de forma quase simultânea.

Embora mais capacitados tecnicamente, falta aos jovens líderes vivências pessoais que são essenciais ao bom desempenho de funções de comando. Nas organizações, isso pode ser compensado com a interação maior entre os executivos maduros da organização. Essa é a opinião de Eduardo Pellegrina, diretor de Recursos Humanos da Itautec.

Veja abaixo a entrevista de Pellegrina ao site da Amcham, concedida após ele participar do comitê de Gestão de Pessoas da Amcham-São Paulo na quarta-feira (07/03):

Amcham: A Geração Y tem perfil diferente dos demais profissionais, e está começando a assumir postos de liderança. Está na hora de acelerar a integração entre as diferentes gerações?

Eduardo Pellegrina: A Geração Y, sem sombra de dúvida, vem com um nível de inteligência maior do que a anterior, e a próxima leva de profissionais será mais inteligente. O que muda são questões comportamentais, aquelas que são influenciadas pelo aprendizado da vida. Estou falando da vivência que não é ensinada na escola e que se obtém com erros e acertos. A nova geração vem assumindo posições de liderança muito cedo e não teve a oportunidade de aprender com esse tipo de experiência. Então temos um intervalo de capacitação que precisa ser transmitido a esses jovens pelas gerações anteriores, ou seja, transferir experiências de vida de uma forma mais rápida.

Amcham: Como isso pode ser feito?

Eduardo Pellegrina: Na Itautec, trabalhamos para aproximar essas experiências o máximo possível. Nosso programa de estágio, por exemplo, consiste em transmitir a parte técnica ao estagiário, mas também conviver com a figura do mentor, um funcionário mais antigo e experiente. Trata-se de um relacionamento involuntário, mas que serve para estimular a troca de experiência, diálogo e vivência entre as duas gerações.

Amcham: E que resultados essa interação tem trazido?

Eduardo Pellegrina: As gerações mais velhas estão aproveitando os momentos de inovação e criatividade que os jovens trazem. Por sua vez, os mais novos absorvem a experiência de vida que não tiveram tempo de assimilar.

Amcham: A nova geração tem como característica o interesse por tecnologia, ramo de atuação da Itautec. É fácil atrair e reter esses jovens?

Eduardo Pellegrina: Os objetivos de retenção dos mais jovens estão atrelados às possibilidades de desafios futuros. A Geração Y é comprometida com valores e princípios individuais. Isso não é ruim, apenas diferente dos ideais que as gerações anteriores possuíam, como a lealdade duradoura à bandeira de uma empresa. Por outro lado, são jovens que passaram boa parte da infância e adolescência jogando videogames. Cresceram sendo desafiados por máquinas, e tomaram gosto pela sensação de competitividade. Assim, creio que a empresa tem que oferecer desafios constantes de crescimento, novas oportunidades de desenvolver e aprender mais.

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