Justificativas válidas podem ser gatilhos para declínio de negócios, diz Claudio Galeazzi

publicado 22/10/2019 14h49, última modificação 23/10/2019 17h24
São Paulo – Comitê de finanças trouxe Claudio Galeazzi para compartilhar dicas de estruturação de turnaround para empresas em crise
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Claudio Galeazzi, especialista em crises e autor do livro ‘Sem Crises’, palestra no Comitê de Finanças de São Paulo

Empresas entram em situações de declínio muitas vezes por aceitarem justificativas válidas por não terem atingido os resultados esperados, segundo Claudio Galeazzi, especialista em crises e autor do livro ‘Sem Crises’. “Se você aceita uma justificativa dessas no terceiro mês seguido, pode haver o início de um processo de declínio que levará sua empresa a uma situação extremamente crítica”, avalia.

O executivo esteve presente no nosso Comitê de finanças para falar sobre casos de turnaround. O evento, que aconteceu na e dar dicas de como empresas podem sair de crises e voltarem a crescer. O evento aconteceu na última segunda-feira (08).

Embora todas as empresas passem por crises, o declínio é autoinfligido. Galeazzi cita o executivo americano para explicar que, se não detectada e tratada rapidamente, uma crise pode se tornar fatal para os negócios. “É triste ver empresas que entram em dificuldade simplesmente por ignorarem o fato de que estão indo para uma situação de dificuldade financeira”, aponta.

Diminuição das vendas, perda de Market Share, perda de margem, aumento dos custos e despesas, variações bruscas nos níveis de estoques, turnover de pessoal, piora no perfil de endividamento, aumento dos custos financeiros e, principalmente, fluxo de caixa negativo são alguns dos sintomas de declínio. Isso porque, segundo Galeazzi, muitas empresas não têm ou não utilizam seus instrumentos gerenciais. “Hoje os donos não percebem muitas vezes que estão entrando em declínio”, analisa.

OS PERIGOS

Segundo o especialista, existem três categorias de perigos que podem levar ao declínio: viver de tradição, atitudes equivocadas e mitos de soluções para os problemas. “É preciso entender como a sua empresa funciona e quais são os gargalos dela para que se faça um planejamento de acordo com a realidade do seu negócio”, menciona.

“Nada é mais fatal para uma empresa do que manter o status quo”, avalia Galiazzi, referindo-se a empresas que vivem de tradição. Resistência a mudanças, segundo ele, é um dos maiores gatilhos para o declínio.

Além disso, senso de valor muito inflado, falta de disciplina e culpar fatores externos são algumas das atitudes mais equivocadas no mundo dos negócios. Também classificados como perigosos na gestão estão os mitos de soluções para os problemas como novos aportes ou financiamentos, aumento de produção e novos negócios ou lançamentos de novos produtos.

RECUPERANDO A EMPRESA

Segundo o especialista, existem ações a serem tomadas nos primeiros 100 dias após detectada a crise. São elas: minimizar recursos existentes, formar grupos de trabalho e detectar as pessoas insubstituíveis, estudar o caixa, aplicar instrumentos gerenciais, trabalhar com orçamento base zero, consolidar o presente, ser pragmático e focar no resultado e não nas vendas.

Três passos principais devem ser dados para recuperar a empresa de um declínio: diagnosticar e enxergar os fatores que levaram o negócio às circunstâncias negativas, planejar a recuperação atacando despesas e realizando os cortes necessários e transforma-la e repensa-la. “Longo prazo em processos de turnaround não funciona. É preciso tomar medidas extremas na hora”, manifesta, lembrando que todo declínio pode ser detectado, evitado e revertido.