Logística, na busca por atuação mais sustentável, obtém ganhos de produtividade

por andre_inohara — publicado 18/10/2012 17h31, última modificação 18/10/2012 17h31
São Paulo – Cultura de sustentabilidade, veículos menos poluentes e destinação correta de resíduos são práticas cada vez mais frequentes no setor.
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As empresas do setor logístico, na busca por uma atuação mais sustentável, que minimize os impactos que o transporte e movimentação de cargas causam à natureza, vêm ganhando produtividade e eficiência.

“A companhia polui menos se for mais racional em sua operação”, afirma Paulo Roberto Guedes, diretor-presidente da Veloce Logística. “Andando menos de caminhão, a quilometragem rodada diminui, assim como a emissão de gás carbônico (CO2), e a empresa ganha dinheiro”, detalhou ele, durante sua participação no comitê de Logística da Amcham-São Paulo nesta quinta-feira (18/10).

Atuando em transporte rodoviário de cargas entre Brasil e Argentina, a Veloce também realiza serviços de movimentação, gestão de armazenagem e logística reversa, e sua frota consiste em 475 carretas, 190 transportadores terceirizados e 20 bases operacionais.

Quem opera no transporte rodoviário tem obrigação “até moral” de fazer alguma coisa para diminuir a emissão de gases tóxicos ao meio ambiente, defende Guedes. “Os caminhões são os maiores poluidores no que diz respeito à emissão de CO2. Como temos uma frota razoavelmente grande e percorremos muitos quilômetros, a necessidade de evitar emissões excessivas é grande.”

Idealismo x pragmatismo

Se a incorporação de conceitos de sustentabilidade no setor logístico não se der por idealismo, que seja por pragmatismo, argumenta Guedes. “Ser sustentável traz vantagem competitiva, e o mercado começa a dar preferência a empresas que realizam ações desse tipo.”

Empresas com sustentabilidade tendem a ser mais duradouras e responsáveis, o que diminui a probabilidade de serem autuadas por irregularidades como emprego de trabalho infantil ou descumprimento de obrigações legais, exemplifica o executivo.

A Veloce adotou um programa de redução de impacto ambiental, batizado de Sistema de Gestão da Sustentabilidade (SGS). O sistema define a política ambiental da companhia e contém iniciativas específicas para a diminuição de CO2, além de outras ações complementares.

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“Buscamos engajar todos os colaboradores na cultura de proteção do meio ambiente e diminuição de CO2”. A cadeia de colaboradores é formada por funcionários, clientes, fornecedores, transportadores, motoristas autônomos e prestadores de serviços.

Outras ações de sustentabilidade

Depois de obter certificações relacionadas a qualidade e meio ambiente, a Veloce passou a medir suas emissões de gás carbônico e planejou ações para redução de poluentes.

Uma delas foi o incentivo aos motoristas terceirizados para que trocassem seus caminhões por modelos mais novos e potentes. “Através da garantia de que continuaríamos trabalhando com eles, conseguimos renovar e diminuir rapidamente a idade média da nossa frota”, comenta.

Nas dependências da Veloce, há coleta seletiva de lixo e reuso de água para lavagem de carretas, e também foram criadas áreas de contenção e coleta de óleo combustível e destinação de resíduos sólidos. “Tudo está em conformidade com a legislação”, ressalta o executivo.

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Para estimular práticas de sustentabilidade em sua cadeia de fornecedores, a Veloce criou um prêmio anual, onde os critérios são desempenho, qualidade e sustentabilidade. “Ao premiar alguém, fica a sensação de reconhecimento pelo trabalho”, observa.

Inspeções veiculares periódicas e parcerias com distribuidoras de combustíveis para fornecimento de insumos menos poluentes também foram realizados.

Os resultados da Veloce

Com frota mais moderna rodando com combustível verde, aliada à melhora da gestão logística, os efeitos apareceram. Entre 2010 e 2011, a emissão de CO2 por quilômetro quadrado percorrido caiu 4,5%, enquanto a emissão de gás carbônico por metro cúbico cedeu 7,1%.

No período, a mesma frota percorreu 58 milhões de quilômetros e transportou 2,5 milhões de metros cúbicos, um aumento de 12,8% e 16%, respectivamente. “Com redesenho de rotas e melhoria no processo de coleta junto a fornecedores houve economia de fato, na medida em que se transporta mais e rodando menos”, destaca o executivo.

Gestão sustentável de frotas

Muitas das soluções oferecidas para melhorar a gestão de frotas têm como alvo a melhoria de eficiência, mas também contribuem para suavizar os impactos ambientais. Diogo Salles Ilha, sócio da KMS Consultoria em gestão de Frotas Sustentáveis, disse que os sistemas mais modernos de administração logística já incluem o respeito à natureza.

Em termos de impacto ambiental, o combate à redução de emissões é essencial, segundo Ilha. “A diminuição de poluentes se dá por três fatores: mudança de combustível, redução de consumo e manutenção de frota”.

O mais importante dos itens apontados é a redução do consumo, que pode ser obtida com equipamentos mais modernos e agilização de transporte.

Uma boa gestão de impacto ambiental passa por reduzir o desperdício, segundo Bernard Laporte, gerente de projetos da Belge Consultoria. “Isso evita gastos desnecessários e dimensiona recursos de forma correta.”

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