Logística também tem que servir para alavancar negócios, de acordo com Suzano Papel e Celulose

publicado 20/02/2017 09h58, última modificação 20/02/2017 09h58
São Paulo – Reestruturação no atendimento de médios e pequenos clientes ampliou mercado, segundo Fábio Oliveira (Suzano)
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Na Suzano Papel e Celulose, a logística de transporte e distribuição contribuiu para que o negócio de vendas de papel crescesse em meio à crise, disse Fábio Oliveira, diretor de logística da Suzano Papel e Celulose. “Enquanto o mercado de papel encolhia, tivemos em 2016 o melhor ano na história de papel. Isso é um exemplo de como a área logistica pode fazer a diferença”, disse, durante o comitê de Logística da Amcham – São Paulo na quarta-feira (15/2). Oliveira acrescenta que logística não é só corte de custos. “Também tem que ser usada como ferramenta de diferenciação comercial e mercadológica.”

Falando sobre o varejo, Fernando Gasparini, diretor de supply chain do Carrefour, compartilhou experiências sobre logística no setor. Mas além de cortar custos, a Suzano redesenhou o negócio de venda de papel no mercado interno eliminando os distribuidores dos clientes médios e pequenos. “Passamos a atendê-los diretamente”, detalha Oliveira. Para isso acontecer, a Suzano ampliou 13 dos seus 20 centros de distribuição de modo a oferecer qualidade de serviços e variedade de estoque, e redefiniu a malha logistica voltada a esses clientes.

Em três anos, o aumento praticamente dobrou. “Passamos de 18 mil clientes pequenos e médios em 2013 para 35 mil em 2016. Em um período de crise, crescemos e ganhamos participação”, acrescenta o executivo.Para atender a uma clientela tão pulverizada, especialmente no interior do Nordeste, a Suzano criou uma frota de vans e motos que entregam os pedidos. Mas os centros de distribuição também atendem clientes. “Eles vêm comprar até de bicicleta”, detalha Oliveira.

O tíquete médio dessa clientela é de 200 quilos, segundo o executivo. Ele também admite que uma estrutura comercial como essa aumenta os custos logísticos, mas os resultados são compensadores. “O cliente menor está disposto a pagar mais por um serviço melhor, e nem sempre a distribuidora dava isso para ele. Comprando direto da fábrica e oferecendo um serviço ágil de entrega, conseguimos um aumento de margem que paga toda a despesa comercial e ainda sobra.”

No segmento de celulose, a Suzano possui frota própria para buscar as madeiras extraídas das áreas florestais e enviá-las às fábricas. O transporte é feito por empresas contratadas e motoristas autônomos em caminhões desenvolvidos para a operação.

Apesar de os custos logísticos da Suzano Papel e Celulose estarem abaixo da média do setor, a empresa redobra seus esforços para reduzir ainda mais esses gastos e aumentar a produtividade. “Nosso desembolso de logística em 2016 foi de 1,9 bilhão de reais. Para um faturamento de 10 bilhões de reais no ano passado, nosso custo foi de 19%. Está abaixo do setor, mas não estamos satisfeitos porque segue bastante alto”, disse Oliveira.

Citando dados de um estudo da Fundação Dom Cabral sobre a participação do custo logístico no faturamento total, Oliveira disse que o setor de papel e celulose é o que mais tem despesas logísticas, com 28,3% sobre a receita. O segundo setor que mais gasta com logística é a construção civil, com 21,3%.

Carrefour

No varejo, o Carrefour decidiu montar centros de distribuição (CD) mais perto dos clientes. Um deles, em Embu das Artes (SP), atende à operação de e-commerce de produtos não alimentares para a região Sudeste. Outro CD na Anhanguera abastece a cidade de São Paulo com produtos alimentares. “Em um raio de 10 km, estamos próximos a cerca de 30% da classe AB da cidade”, disse Gasparini, do Carrefour.

O objetivo é ficar mais próximo do cliente e fazer entregas rápidas, continua o executivo. “Decidimos ficar no meio de São Paulo para fugir das pontes e das marginais. É mais difícil abastecer as lojas porque elas estão no meio da restrição de transportes, não posso usar carreta na cidade. Mas nosso foco é entregar mais rápido.”

Gasparini disse que a natureza do negócio exige soluções mais ágeis. “O que atrai cliente para a loja é o perecível, ele volta sistematicamente à loja para comprar esses produtos. Então essa é uma categoria importante que fez a gente mudar processos e rotas”, segundo o executivo.

Além disso, a necessidade de abastecer as lojas da bandeira Express, que funcionam como mercados de bairro, também exige logística constante. “Lá o cliente não compra só produto perecível, mas seco e outros de consumo rápido também.” De acordo com Gasparini, 82% do que se vende nos supermercados passam pelos CDs da companhia.

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