Mais diversificada, área de inteligência competitiva exerce importante papel de apoio à organização

por andre_inohara — publicado 19/04/2012 09h39, última modificação 19/04/2012 09h39
São Paulo – Na Ticket, trabalho vai além do monitoramento de mercado, se estendendo a estratégia, inteligência de negócios, suporte a vendas, segmentação e pesquisa.
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Responsável pela projeção de tendências do mercado e por análises estratégicas, a área de inteligência competitiva de uma empresa tem ganhado importância como apoiadora de negócios.

Para Cleide Souza, gerente de Estratégia & Inteligência de Negócios da Edenred, controladora da marca Ticket, um bom trabalho de inteligência competitiva só é possível quando as áreas entendem o papel colaborativo da inteligência competitiva.

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Conhecimento é capital que mais gera competitividade, avaliam especialistas em inteligência de mercado

Leia a entrevista de Cleide concedida ao site da Amcham na terça-feira (17/04), quando participou do Seminário ‘Gestão da Informação e do Conhecimento’, realizado pela Amcham-São Paulo.

Amcham: Qual a importância do trabalho de análise de inteligência competitiva?

Cleide Souza: É melhorar a quantidade de informação que se tem no mercado. Hoje as informações são tantas que, se não forem centralizadas em uma área que filtre e transmita esse conhecimento tratado para as áreas de negócios, a empresa acaba não utilizando os dados mais relevantes.

Amcham: Poderia explicar melhor?

Cleide Souza: A quantidade de informação disponível por colaboradores, clientes, fornecedores e o próprio mercado é tão grande que a empresa nem sabe como utilizar tudo. A área de inteligência é responsável por aprofundar essa busca, qualificando e filtrando de acordo com uma metodologia técnica. E isso vai se tornando referência para a tomada de decisões rápidas. Porque a área detém um conhecimento estruturado para procurar fontes de informação.

Amcham: Por que as empresas precisam de uma área específica de inteligência?

Cleide Souza: Por conta da importância de se conhecer a própria casa. Quais são, por exemplo, as informações relevantes dentro do meu negócio? Quando se conhece isso, é possível dimensionar sua busca no mercado. Se as informações não forem reunidas dentro da organização, não haverá conhecimento para dar agilidade à empresa no sentido de obter a informação correta na hora certa, como análises de novos produtos.

Amcham: A inteligência competitiva coleta informações de áreas como o comercial, e devolve análises. No entanto, essa área não pertence ao comercial. Como é trabalhar com essa característica?

Cleide Souza: É comum haver resistências. A pessoa se questiona sobre a necessidade de procurar uma área de inteligência, uma vez que não se considera burra... Por isso defendo que a área de inteligência seja devidamente estruturada e comunicada à organização, com papel muito bem definido.

Amcham: De um modo geral, a empresa entende o trabalho de inteligência?

Cleide Souza: Sim. Porque as áreas de negócios precisam se conscientizar que muitas coisas que fazem hoje são repetitivas e teriam mais tempo para pensar estrategicamente o seu escopo se tivessem um grupo especializado para dar suporte. Cada vez mais os responsáveis por inteligência têm que convencer os pares de que podemos ajudá-los a serem mais ágeis, a tomarem decisões mais assertivas e melhorar o negócio.

Amcham: Como tem evoluído o trabalho de inteligência no Brasil?

Cleide Souza: Foi grande nos últimos quatro anos. Antes disso, as áreas que praticavam inteligência se limitavam a fazer monitoramento de mercado. Mas hoje já se encontram áreas com desenho como o da Ticket, cujas funções abrangem estratégia, inteligência de negócios, suporte a vendas, segmentação, pesquisa etc. Isso é uma evolução. Mas o mais importante é que, independente do tamanho da área, o papel tem que ser de colaborador do negócio.

Amcham: Durante sua apresentação no seminário, a sra. disse que o nome ‘inteligência’ soa pretensioso. Tem alguma recomendação de como a área deveria se chamar?

Cleide Souza: O nome ‘Inteligência’ é muita audácia. ‘Informações de Mercado’ ou ‘de Negócios’ me parece adequado. Muitas vezes não se está olhando só para o próprio negócio, mas também para os potenciais. Creio que poderia ser algo relacionado à estratégia, como ‘Informações Estratégicas’.

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