Mercado brasileiro de TI investe só a metade do montante de países ricos

publicado 24/10/2013 12h12, última modificação 24/10/2013 12h12
São Paulo – País investe 1,6% do PIB, enquanto média dos mercados desenvolvidos é de 3,4%
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Em termos de TI (Tecnologia da Informação), o Brasil investe somente a metade da média dos países desenvolvidos. “O mercado brasileiro de tecnologia pode e deve dobrar de tamanho para atingir o patamar de países desenvolvidos”, afirmou o consultor Dagoberto Hajjar, diretor presidente da Advance Consulting.

De acordo com Hajjar, que esteve no comitê estratégico de Marketing da Amcham – São Paulo na quarta-feira (16/10), o Brasil investiu cerca de 1,6% do PIB (Produto Interno Bruto) ou US$ 35 bilhões (em torno de R$ 75 bilhões) em TI no ano de 2010, enquanto que a média de investimento dos países desenvolvidos é de 3,4% do PIB.

Ou seja, para alcançar o patamar dos países ricos, as empresas brasileiras teriam que gastar mais US$ 35 bilhões, com a maior parte do bolo sendo canalizada para a compra de novas máquinas (hardwares). “Quanto mais maduro o país for em TI, maior o consumo de aplicativos (softwares) e serviços aumenta. O contrário acontece com países emergentes, que investem mais em hardwares”, destaca Hajjar.

Dados de 2011 da Advance indicam que 51% dos investimentos em TI no Brasil vão para hardware, 14% em softwares e 35% em serviços. Em relação à média mundial, o país apresenta perfil de país emergente em tecnologia: 40% dos investimentos são em hardware, 20% softwares e 40% para serviços.

A falta de maturidade do mercado brasileiro de TI é evidenciada pelo perfil das empresas. Citando os números da pesquisa Info200 de 2012, Hajjar disse que o faturamento total do mercado de TI chegou a R$ 212 bilhões. “É um mercado altamente concentrado. Só as 200 maiores empresas faturaram US$ 125 bilhões, com as sete maiores (incluindo uma de telecom) fazendo US$ 60 bilhões”, acrescenta o consultor.

Marketing e TI

Em breve, os mundos do marketing e da TI vão se encontrar em uma nova função, o CMTO – Chief Marketing Technology Officer, uma função já existente no mercado americano.

“Veremos essa função se popularizar no Brasil daqui a um ou dois anos. Esse profissional vai ter que aprender a se comunicar com o consumidor através de aparelhos móveis usando formas gráficas e lúdicas”, afirma Hajjar.

O mundo digital exige abordagens específicas de marketing que o profissional da área precisa dominar. “Tem que saber como criar promoções individualizadas, mesmo em websites. Lá não é bom fazer promoção para todos, porque as necessidades dos usuários são diferentes. Não adianta fazer promoção de fraldas para quem não tem criança”, argumenta o consultor.

A habilidade de analisar dados também fará parte do espectro de funções do CMTO. “Isso é fundamental. As empresas têm uma quantidade absurda de dados, mas ninguém cruza elas e extrai iniciativas inteligentes para gerar novas vendas. Esse é o papel que o marketing e a tecnologia deveriam fazer dentro da empresa.”

 

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