Mercado brasileiro de cartões corporativos tem espaço para crescer mais de seis vezes até 2020

por daniela publicado 30/08/2011 14h27, última modificação 30/08/2011 14h27
Daniela Rocha
São Paulo - Segmento que atualmente movimenta R$ 27 bilhões poderá atingir R$ 170 bilhões no período, segundo levantamento da American Express.
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O otimismo em relação à economia e a maior atratividade de investimentos ao Brasil, potencializados diante da crise enfrentada pelas nações desenvolvidas da zona do Euro, bem como Estados Unidos e Japão, fará com que o segmento de cartões de crédito corporativos no País tenha crescimento exponencial nos próximos anos.

De acordo com estudo da American Express (Amex), esse mercado, que movimentou R$ 27 bilhões no ano passado, subirá para R$ 75 bilhões já em 2013. Depois, alcançará R$ 120 bilhões em 2016 e R$ 170 bilhões em 2020, mais de seis vezes o patamar atual.

“O potencial do Brasil é enorme quando se fala de tamanho de mercado na área corporativa. As administradoras de cartões estão preparadas para capturar, principalmente, as despesas de viagens e representações, mas há outras soluções a serem fortemente exploradas, como a utilização de cartões para compras e pagamentos de despesas como seguros, contas de água e de energia”, projetou Ricardo Mandarino, diretor de Vendas de Soluções cCorporativas da Amex. Ele participou nesta terça-feira (30/08) do comitê de Viagens e Mobilidade Corporativa da Amcham-São Paulo.

Alvos

Diante dessa tendência, há necessidade de capacitação das operadoras para oferecer novos tipos de serviços.

Além disso, Mandarino destaca que o País tende a receber um fluxo maior de investimentos diretos estrangeiros. São diversas companhias que estão apostando no desenvolvimento de seus negócios em território brasileiro. “Esse também é um indicador que mostra que teremos um mercado cada vez mais aquecido, ainda mais quando se fala em companhias estrangeiras, que em grande parte já vêm com a cultura pronta a respeito do cartão de crédito corporativo.”

Outro nicho que merece atenção é o de pequenas e médias empresas (PMEs), que têm buscado aperfeiçoar seus processos. As PMEs respondem hoje por 20% do Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB) e, em se tratando do número de organizações no País, representam mais de 90%. “Nesse caminho, são fundamentais soluções adequadas à realidade dos negócios de pequeno e médio portes”, ponderou o executivo.

Entre 2006 e 2010, o mercado de cartões de crédito corporativos no País cresceu 25% ano. O Brasil é o quarto maior mercado no mundo, atrás de Estados Unidos, Reino Unido e Austrália. Há que se ressaltar, porém, que as diferenças entre esses mercados é grande: o australiano, somente uma posição à frente do nosso, é duas vezes maior; e o americano, na liderança global, quatro vezes superior.

Desafio central 

Ricardo Mandarino, da Amex, comentou que ainda vigora entre as empresas no País um clima de desconfiança de que pode haver uso inadequado dos cartões corporativos pelos colaboradores, algo que vem sendo derrubado.

“O fato é que todas as despesas feitas através do cartão são comprováveis. No momento em que se passa o cartão, são registradas informações de quanto foi gasto, onde e em que horário. Então, tudo isso fica sob a gestão de uma pessoa na empresa, que aprova ou não aquelas aquelas despesas que são feitas”, explicou.

Somando-se a isso, estão disponíveis ainda ferramentas para que os gestores possam fazer o download ou contar com alimentações online dessas operações dentro dos sistemas nas companhias.

Impressões dos usuários

Na avaliação de Walter Teixeira, presidente do Grupo TX Consultoria, que também participou do comitê, falta no País um maior esforço dos bancos na formação de uma cultura do uso do cartão de crédito corporativo. Para ele, as equipes comerciais das instituições são pouco preparadas para atender demandas na área de viagens e eventos corporativos. 

Essa visão foi compartilhada por Glauco Cavalcanti, vice-presidente financeiro do grupo Alatur. “Existem funding e tecnologia, mas falta a capacitação da área comercial”, disse. Daí vem a dificuldade para encontrar os produtos mais aderentes aos negócios.

Respondendo a essa questão, Ricardo Mandarino, da Amex, enfatizou que há um movimento de intensificação das vendas consultivas, nas quais são direcionadas as melhores soluções para cada caso.

Apesar das dificuldades iniciais para adoção nas organizações, os usuários concordam que o uso do cartão de crédito corporativo traduz-se na redução de custos operacionais, uma vez que traz benefícios como centralizar as despesas em um único extrato e facilitar a conciliação contábil. "O custos dos processos são menores com o cartão. Evita-se retrabalho", disse Teixeira, da TX Consultoria.

 

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