Mobilidade e Big Data ajudam empresas a dar toque virtual e personalizado ao consumo

publicado 22/10/2013 12h24, última modificação 22/10/2013 12h24
São Paulo – Cardápios eletrônicos em restaurantes e experimentações virtuais de roupas são opções disponíveis
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Ao passear por uma das lojas da rede de cafeterias Starbucks nos Estados Unidos, o consultor Dagoberto Hajjar, diretor presidente da Advance Consulting, reparou que alguns clientes entravam, se dirigiam ao balcão e saíam rapidamente com vários produtos da loja.

Intrigado, Hajjar quis saber por que as pessoas estavam pegando coisas e saindo sem pagar. O caixa explicou então que a rede disponibiliza aos clientes um aplicativo para celulares ou tablets que mostra qual a loja mais próxima, registra o pedido e recebe o pagamento via transferência eletrônica. Na loja, o pedido empacotado e marcado com o nome do cliente fica à sua espera.

“Toda a parte da transação efetiva [escolha e compra do produto] acontece fora da loja [por meio de dispositivos móveis]. Isso é uma grande revolução para os pontos de venda”, afirma Hajjar, no comitê estratégico de Marketing da Amcham – São Paulo na quarta-feira (16/10).

Essas tecnologias de mobilidade e inteligência de mercado já começam a ser usadas no Brasil para oferecer novas formas de consumo aos clientes. Hajjar afirma que o varejo tradicional está criando formas de oferecer experiências personalizadas de consumo via celulares e tablets.

O Hotel Pergamon, na capital paulista, é um dos exemplos mencionados pelo consultor. “Com o tablet fornecido na recepção, o hóspede faz o próprio check-in e escolhe o quarto, depois de consultar as imagens internas da acomodação. O tablet é devolvido na hora do check-out, onde o cliente pode conferir as despesas da estadia”, exemplifica Hajjar.

No Brasil, muitos restaurantes já adotaram o cardápio eletrônico. “Em vez do menu de papel, o cliente faz o pedido consultando o tablet do restaurante, que possui imagens dos pratos e opções em vários idiomas”, acrescenta o consultor.

Tecnologia x Personalização do consumo

Além do atendimento virtual, o comércio também se esforça para conhecer os hábitos dos clientes e, assim, proporcionar ofertas personalizadas. Isso é possível por meio de aplicativos para celulares e tablets que oferecem a localização da loja mais próxima do usuário e armazenam dados, como histórico de compras e interação com a rede de contatos.

“De dentro da loja, o usuário pode consultar as características dos produtos via código de barra ou QR. Também é possível interagir com a rede social para saber o que acharam do produto, ou comparar com outros similares próximos em outras lojas com os respectivos preços”, conforme Hajjar.

Gadgets vestíveis começam a ser aplicados no ramo de vestuário. Vestindo óculos de realidade aumentada, os usuários podem enxergar com ficariam com determinadas roupas e acessórios sem ter que vesti-las. Na Billabong há uma loja conceito que explora essa tecnologia, indica Hajjar.

A multinacional adidas, por sua vez, trabalha com TVs touch screen e sensores de movimento, para ajudar na escolha das roupas esportivas. “O usuário escolhe a roupa que quer experimentar selecionando opções na TV. Por meio de imagens captadas por câmeras e sensores de movimento, ele pode se mexer em frente à tela e ver o tamanho certo da roupa, sob vários angulos”, segundo o consultor.

Big Data

A tecnologia também permite experiências de consumo além da realidade virtual. Quando esteve nos Estados Unidos, Hajjar conta que voltou a uma loja de vinhos da qual havia estado uma única vez, um ano antes.

Assim que entrou, aceitou baixar o aplicativo da loja e imediatamente recebeu uma mensagem de boas vindas e uma opção para comprar o vinho adquirido da última vez, com desconto. “A oferta continha a localização e o código de barra do produto em promoção”, disse, impressionado.

Entusiasmado com a experiência, Hajjar voltou à loja e recebeu outra mensagem, desta vez agradecendo o retorno. Ela também continha uma receita de pato, que combinava com o vinho recém adquirido. “Eu tinha duas opções: comprar os ingredientes na loja, ou receber em casa. Escolhi a segunda alternativa”, afirma o consultor, que recebeu o pedido e, junto com ele, a receita do pato.

Hajjar procurou o diretor de tecnologia da loja, que explicou como o procedimento era feito. No cartão de fidelidade da loja, está contido o histórico de compras do cliente. A loja também conhece seu estoque e os prazos de validade de cada produto. “Os mais propensos a ir para promoção são os mais pertos do vencimento”, detalha Hajjar.

Até as condições meteorológicas são consideradas. Juntando as quatro variáveis, é possível oferecer promoções personalizadas, resume o consultor. “Tudo é altamente individualizado e baseado em informações estruturadas.”

Hajjar disse não ter conhecimento de nenhum supermercado brasileiro que ofereça uma experiência de consumo parecida. Para ele, há muitas oportunidades de uso da tecnologia virtual no varejo brasileiro que prometem transformar a vida das empresas e dos consumidores.

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