Mobilidade internacional se transforma em opção de contratação de pessoal qualificado e acesso a tecnologias inovadoras

por andre_inohara — publicado 06/07/2012 16h57, última modificação 06/07/2012 16h57
São Paulo – Movimentação de profissionais é tendência no mundo do trabalho, indica diretor da consultoria de RH Manpower.
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A contratação de profissionais estrangeiros por empresas brasileiras, movimento recente no mercado doméstico, ajuda a suprir parte da falta de mão de obra especializada no País e possibilita o acesso a conhecimentos muitas vezes inovadores.

Essa é uma tendência mundial que deve se consolidar a cada ano, de acordo com Riccardo Barberis, diretor (country manager) da consultoria de RH ManpowerGroup. Em uma pesquisa global sobre mobilidade internacional da Manpower, foi constatado que 24% das companhias buscam profissionais estrangeiros para trabalhar em seus respectivos países.

Veja aqui: Brasil é o segundo país do mundo que mais sofre com escassez de mão de obra qualificada, segundo pesquisa da Manpower

“Um em cada quatro empregadores em todo o mundo busca talentos fora de seus países. Quando se olha para isso globalmente, vê-se que as empresas consideram a mobilidade internacional como uma opção estrutural”, afirmou o executivo, durante a reunião conjunta dos comitês de Legislação e Gestão de Pessoas da Amcham-São Paulo nesta sexta-feira (06/07).

Tendências

A mobilidade internacional é uma forma de ter acesso a conhecimentos inovadores que melhorariam a capacidade industrial. O resultado geral é o aumento da competitividade, argumenta Barberis.

Outra tendência do mercado de trabalho em relação ao intercâmbio de profissionais é o aumento das transferências de pessoal em empresas multinacionais que operam em países com sistemas culturais e legais semelhantes, como os membros do Mercosul. Isso facilita a movimentação, pois os custos de contratação são elevados, conforme o executivo.

É comum também enviar um profissional de um país emergente e para um mercado desenvolvido para que ele aprenda processos e cultura empresarial. Isso pode gerar resultados superiores aos da contratação de alguém de fora. “Quando ele volta para a sua organização local, o retorno é três vezes maior do que o de alguém contratado do mercado”, afirma Barberis.

O ônus da contratação de estrangeiros

Trazer profissionais de fora do País, no entanto, não é uma solução simples, pois pode esbarrar em desafios como a falta de afinidade cultural. “Pouco menos da metade de projetos europeus na China não funcionara por conta de diferenças culturais”, de acordo com Barberis.

Outro fator limitador se refere aos custos de contratação, que podem ser mais elevados que os de um trabalhador nacional. A política brasileira de imigração estabelece que o profissional estrangeiro não pode ter no Brasil uma remuneração abaixo da que ele possuía em seu país de origem. “Ela tem que ser igual ou superior à que ele tinha”, esclareceu Ziara Abud, sócia da Atene Consultoria Jurídica.

A Atene presta serviços de assessoria e consultoria de imigração para pessoas físicas, empresas nacionais e multinacionais, e é parceira da Amcham no título ‘How to obtain Visas for Brazil’ da série How to Do Business and Invest in Brazil. A publicação oferece informações sobre como um estrangeiro pode conseguir o visto apropriado para lazer ou negócios no País. Para trabalhar no Brasil, o estrangeiro terá que obter um visto temporário ou permanente de trabalho.

Expatriação

Dentro do contexto de mobilidade internacional, alguns países, como a China, estão criando estratégias públicas para incentivar o intercâmbio de conhecimentos gerenciais.

“Um país não se faz apenas com uma relação de trabalho por hora barata. A China está fazendo investimentos pesados e de longo prazo para entrar no segmento de negócios de alto valor agregado. Para isso, envia seus executivos para fora (de modo a adquirir conhecimentos empresariais e operacionais) e os chama de volta com incentivos fiscais”, ilustrou Barberis.

Case Hyundai

A montadora coreana Hyundai prioriza a qualidade em relação aos custos. Por isso, trouxe da Coreia do Sul 400 especialistas de todos os níveis, responsáveis pelo treinamento dos demais funcionários e fornecedores da montadora no Brasil. O objetivo é assegurar a transmissão da filosofia organizacional e a metodologia de operações na unidade de Piracicaba, inaugurada neste ano.

“A Hyundai é a empresa que mais trouxe profissionais especializados para o Brasil”, conta Ricardo Martins, diretor de Assuntos Corporativos & Relações Governamentais da Hyundai Motor Brasil.

A nova fábrica da montadora coreana Hyundai em Piracicaba emprega 2 mil funcionários diretos e tem capacidade de produzir 150 mil veículos por ano, seguindo os estritos padrões operacionais da matriz coreana.

O foco em qualidade é uma forma de diminuir os custos, segundo Martins. “A fábrica se preocupa em transmitir a cultura de se fazer corretamente da primeira vez. Correções geram custos”, explica o executivo.

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