Remuneração dos prestadores de serviços de saúde deve levar em conta foco preventivo

publicado 19/05/2016 16h11, última modificação 19/05/2016 16h11
São Paulo – Hospitais, médicos e laboratórios recebem por procedimento, em vez de mérito
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Mudar o modelo de remuneração de prestadores de serviços de saúde é um dos grandes desafios do mercado de saúde suplementar, de acordo com Humberto Torloni Filho, vice-presidente de benefícios globais da consultoria Aon para a América Latina, e Rafaella Matioli, diretora técnica de Saúde da Aon.

“Hoje existe um paradoxo de que quanto mais doente, mais lucrativo. É mais serviço que o prestador estará executando, são mais dias de internação e mais exames. Assim você não está incentivando a promoção e a prevenção de saúde”, comentou Torloni, no comitê estratégico de Relações do Trabalho da Amcham – São Paulo, na quinta-feira (19/5). 

No modelo atual do sistema, hospitais, clínicas, laboratórios e médicos são remunerados pelas operadoras de saúde privada por procedimento executado e isso desestimula posturas mais austeras entre os prestadores. De acordo com o levantamento da Aon, os principais componentes de custos de um plano de saúde na América Latina vêm de hospitais (81% do total), laboratórios de exames (33%) e honorários médicos (52%).

“Acredito que repensar o modelo talvez seja o mais factível no curto prazo. Porque isso vai chegar à parte financeira das operadoras e é uma conta que traz grande preocupação”, acrescenta Rafaella. Para ela, as iniciativas de remodelagem de gastos estão acontecendo de forma muito tímida. “É preciso expandir a mudança de forma mais rápida.”

O modelo de remuneração por mérito seria mais efetivo, sugere Torloni. “O médico que trata bem, que tem resultados mais efetivos, tem que ser bonificado. Justamente para evitar a questão do quanto mais doente, mais lucrativo”, argumenta.

Entre os desafios apontados pela Aon para o setor de saúde suplementar são a adaptação à mudança no perfil dos pacientes, com o envelhecimento populacional e mudança no quadro de morbidade, uso de novas tecnologias e carência de leitos hospitalares.

No Brasil, o mercado de saúde suplementar é formado por cerca de 860 operadoras de saúde que faturam R$ 108 bilhões por ano e atendem 49,7 milhões de beneficiários (24% da população nacional).

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