Palestra da Moody’s na Amcham repercute no mercado de capitais

publicado 16/04/2014 15h49, última modificação 16/04/2014 15h49
São Paulo – Mercado de juros abriu em leve baixa, após declaração de que rating do país deve ser mantido em 2014
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A declaração da agência de classificação de risco Moody's de que é "pouco provável que ocorra mudança do rating do Brasil em 2014", durante o comitê de Finanças da Amcham - São Paulo na manhã da quarta-feira (16/4), foi acompanhada pelo mercado de capitais (confira a apresentação completa aqui). A reportagem de Luciana Antonello Xavier, do Estadão Conteúdo, noticia que o mercado de juros começou o dia em leve baixa, "influenciado por declarações de membros da Moody's e pela queda do dólar".

De acordo com Marianna Waltz, diretora associada da agência de classificação de risco Moody’s, o Brasil continua sendo um país propício a investimentos, e a nota de risco de crédito do Brasil não deverá ser alterada pela Moody’s este ano.  A nota de crédito do Brasil é ‘Baa2’, e para o país perder o patamar de grau de investimento, seria necessário dois rebaixamentos.

No front corporativo, Marianna disse que o investidor estrangeiro está mais cauteloso em relação à América Latina. “Temos detectado a redução de liquidez na região (América Latina), e observamos um novo patamar em termos de custo de funding  (financiamento) das empresas. Os investidores estão mais seletivos”, disse Marianna.

A executiva participou do comitê de Finanças da Amcham ao lado de Luiz Tess, diretor geral da Moody’s no Brasil. De acordo com Marianna, a recuperação da economia americana e as incertezas em relação às eleições presidenciais brasileiras em outubro estão restringindo o fluxo de capital internacional na região.

“O Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) começou a reduzir as compras de títulos públicos no mercado americano [e parando de injetar dinheiro na economia] e a expectativa é que o estímulo seja totalmente retirado em outubro”, comenta a especialista.

Os investimentos na América Latina

Entre 2009 e 2012, período em que os Estados Unidos lutavam contra a crise financeira, cinco países da América Latina (Brasil, México, Peru, Chile e Colômbia) receberam grandes fluxos de investimentos. Entre 2005 e 2007, período pré-crise, as entradas líquidas de capital somaram US$ 6 bilhões.

O montante de recursos recebidos pela região atingiu o auge entre 2010 e 2012, quando as cinco economias latinas receberam US$ 95 bilhões em investimentos. “Ficou claro que os setores públicos e privados dos países emergentes foram beneficiados pelo fluxo significativo de recursos. Muitas empresas e setores inteiros da economia acessaram o mercado de capitais nos últimos anos em função desse fluxo”, afirma Marianna.

Com a recuperação americana, os fluxos de investimentos na América Latina vão cair, especialmente no Brasil. Além da questão do fim dos incentivos nos EUA, que vão redirecionar o fluxo de recursos internacionais, o Brasil tem carências estruturais.

“Estamos no quarto ano de crescimento abaixo do PIB (Produto Interno Bruto) potencial [estimado em 4%] e a inflação vem limitando a capacidade das empresas de repassar custos e impostos. Além disso, as eleições adicionam mais incerteza junto aos investidores internacionais”, argumenta Marianna.

Na visão do mercado, há países latinos mais bem posicionados para receber recursos internacionais. “O México está fazendo uma reforma no setor de energia que está sendo bem vista pelos investidores. E Peru, Chile e Colômbia crescem a taxas mais elevadas que o Brasil”, compara a especialista.

A seguir, a íntegra da apresentação de Marianna Waltz e Luiz Tess da Moody’s, no comitê de Finanças da Amcham-São Paulo, realizado no dia (16/4):

 

 

 

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