Natura ganha produtividade e reduz custos adotando internalização de mão de obra em RH

publicado 26/07/2016 13h56, última modificação 26/07/2016 13h56
São Paulo - Enquanto debate sobre terceirização ganha força, empresa adota processo inverso e garante bons resultados
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Algumas empresas, para tentar automatizar alguns processos e reduzir custos no setor de Recursos Humanos, recorrem ao outsourcing - ou terceirização. Para Katia Moraes Rodrigues, gerente sênior de Recursos Humanos da Natura, o tema da terceirização em gestão envolve a cultura da empresa, seu momento e o que está acontecendo no mercado.

"É preciso que cada profissional avalie os prós e contras e tome a decisão que seja alinhada ao seu negócio, pra não ficar destoante daquilo que acredita", afirmou, durante o comitê de Gestão de Pessoas da Amcham - São Paulo, na terça-feira, dia 26/07.

A Natura, por exemplo, escolheu uma estratégia diferente e adotou o processo inverso. Alguns segmentos de RH, que eram terceirizados, foram internalizados (insourcing), como Recrutamento e Seleção além de outras áreas da Natura, como Jurídico e  Tecnologia Digital. Em todos os processos, Moraes garante que houve melhora na eficiência dos funcionários. "Percebemos que as pessoas tiveram mais comprometimento e engajamento. Às vezes, uma quantidade menor de pessoas consegue ser muito mais produtiva por causa desse engajamento", explicou.

Além disso, ao contrário do esperado, esses processos na Natura reduziram custos e o turn over (rotatividade de pessoal) da empresa. "O que é importante é que no momento da terceirização é que a empresa tem que investir energia em gerenciar esses terceiros e seus contratos. A empresa terceiriza, mas tem uma responsabilidade de acompanhar, de fazer o processo de melhoria contínua com esses funcionários. Aí que encontramos muitos problemas", exemplificou Moraes.

A busca por uma maior eficiência no setor aconteceu através de outras estratégias de gestão. A especialista citou algumas como revisão da estrutura organizacional, automatização de processos em busca de oportunidades e renegociação de contratos com fornecedores.

 Case da Azul e Unilever

A Azul, companhia aérea que hoje detém 17% do mercado doméstico, escolheu terceirizar alguns serviços no setor de Recursos Humanos, como Gestão de Benefícios (Saúde, Seguros e Previdência privada), de Medicina Ocupacional e Programas de Estágio e Jovem Aprendiz. "Nossa atividade é muito específica, com legislações específicas. Quando avaliamos se valia a pena ou não pedir pra que alguém nos representasse, através do outsourcing, na parte de benefícios como saúde, seguro e previdência, existiam pessoas no mercado mais competentes do que na própria estrutura da Azul", explicou Roberto Hobeika, Diretor de Serviços ao Cliente e Recursos Humanos da empresa.

Por causa da especificidade do setor, algumas áreas como folha de pagamento, por conta da complexidade da legislação do segmento, ficaram como processos internos. "Não terceirizamos aquilo que é a especialidade do nosso segmento, porque temos uma atividade específica na profissão dos empregados, o que deixa a legislação complexa. Quando tentamos o modelo terceirizado, percebemos que perdemos flexibilidade", contou.

A Unilever é uma empresa que também usou terceirização em alguns processos dentro de Recursos Humanos. A principal mudança foi, no entanto, no modelo de gestão da área, no final de 2014. Com uma maior integração do setor, ficou mais fácil automatizar mais processos. "Só quando temos um conhecimento dentro de casa que somos capazes de transformar uma cultura, para aí depois influenciar nas reduções de custos dos processos e na automatização desses processos dentro do RH", opinou Carolina Ranzani, Gerente de Recursos Humanos da Unilever.

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