Novo normal: neurocientista dá dicas para amenizar os efeitos negativos da pandemia no cérebro

publicado 07/07/2020 14h39, última modificação 07/07/2020 15h01
Brasil - Estabelecer ciclos de atividades, criar um ambiente corporativo seguro e preservar vínculos são algumas ações que podem fazer diferença em tempos de pandemia
“Não é hora de pensar em ganhos [...] Quem conseguir produzir, dar saltos qualitativos ou inovar é porque se sentiu seguro para fazer isso”, afirma a neurocientista Carla Tieppo.jpg

“Não é hora de pensar em ganhos. Quem conseguir produzir, dar saltos qualitativos ou inovar é porque se sentiu seguro para fazer isso”, afirma a neurocientista Carla Tieppo

Isolamento, crise econômica, desemprego e a própria ansiedade em relação às constantes mudanças afetam negativamente o funcionamento do cérebro humano, projetado para criar respostas automáticas que respondam aos desafios do dia a dia. Com a quebra dessa rotina, a maior parte dos circuitos intuitivos do sistema nervoso deixam de fazer sentido e entram em colapso, nos forçando a desligar o piloto automático e atualizar o modo de agir.

De acordo com a neurocientista Carla Tieppo, é por isso que temos tanta aversão à mudança. Ela requer um grande esforço mental e a atualização dos sistemas automáticos criados pelo cérebro. “Desafios corriqueiros já são avassaladores para o cérebro, mas, neste momento, estamos vivendo um cluster de mudanças, de todas as dimensões. Vários sistemas estão sendo atualizados simultaneamente, o que gera uma carga forte para o funcionamento cerebral”, afirma.

Apesar de toda a bagagem para realização de tarefas desafiadoras, enquanto não nos adaptamos às mudanças, esse estado de estresse a médio e longo prazo pode causar um desgaste químico de neurotransmissores, gerando uma sensação de exaustão crônica. Para ajudar a amenizar os efeitos negativos no cérebro diante ao novo normal, a neurocientista compartilhou dicas que podem fazer diferença em tempos de pandemia.

 

CRIE CICLOS DE ATIVIDADES

Segundo Tieppo, o ambiente digital intensifica a sobrecarga do cérebro e extenua o sistema atencional. “A minha relação com as pessoas na tela é distante, mas eu preciso transformá-la em próxima. É preciso acentuar minha capacidade atencional para trazê-las para perto e dar um jeito de eliminar todos os outros ruídos do mundo real. Se não, elas serão apenas um estímulo, como todos os outros que eu tenho ao meu redor”, avalia a especialista.

Para evitar essa sobrecarga frenética do sistema nervoso e balancear o estresse, a neurocientista aconselha criar ciclos de atividades. Quando insistimos em manter a atenção quando já se está extenuado, a sobrecarga é maior e os níveis de estresse aumentam ainda mais”, diz Tieppo. Uma pausa de apenas 15 minutos é o suficiente para recuperar a energia e o quimismo dos principais neurotransmissores.

 

SEGURANÇA EM PRIMEIRO LUGAR

O jogo mudou. Tínhamos um jeito de contar os pontos e agora temos que encontrar outra forma de checar a produtividade. Mas, para a neurocientista Carla Tieppo, não é hora de pensar em ganhos. “Não pense na pandemia como uma oportunidade de melhorar alguma coisa, porque você vai gerar uma pressão contrária daquilo que você deveria estar fazendo. As organizações precisam ser ambientes seguros para que as pessoas entreguem seu valor e entender que cada pessoa tem seus desafios próprios. Não é hora de pressionar e gerar mais insegurança”, relata.

Agora, mais do que nunca, a liderança precisa entender qual o discurso, dentro da cultura da organização, que irá gerar mais segurança para a equipe. “Quem conseguir produzir, dar saltos qualitativos ou inovar é porque se sentiu seguro para fazer isso”, avalia Tieppo. Neste novo contexto, manter os colaboradores engajados e munidos de informação sobre o andamento do negócio são formas de trazê-los para perto e criar um ambiente corporativo mais harmônico.

 

NÃO PERMITA QUE O ISOLAMENTO SOCIAL TE ISOLE

A pandemia não criou problemas, ela só revelou os problemas que já existiam e possibilitou uma intervenção. “Se a adaptação da sua equipe pede uma outra solução, você tem a chance de mudar. A principal necessidade das pessoas é apoio e as organizações têm papel fundamental de abrir portas para um atendimento psicológico”, afirma a neurocientista. De certa forma, o que é estressante pode ser uma oportunidade.

Além da possibilidade de construir uma nova rotina, a crise atual serve como uma oportunidade de olhar para dentro de si mesmo e preservar vínculos. “Um dos principais hormônios que combatem o estresse no corpo é a ocitocina, que liberamos quando estamos vivendo uma situação de vínculo. Pertencer a grupos protege você e sua saúde mental. Não permita que o isolamento social te isole dos grupos aos quais você pertence”, aconselha Tieppo.

 

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