Novos hábitos da classe C revelam interesse por mais bens de consumo e compra a crédito

por andre_inohara — publicado 17/07/2012 14h29, última modificação 17/07/2012 14h29
Recife – Especialistas debatem os novos hábitos de consumo desse público.
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O acesso ampliado ao crédito e o pleno emprego tem mudado a maneira como a classe C consome, causando impactos nas estratégias utilizadas pelas marcas para lidar com estes clientes.

O comitê de marketing da Amcham-Recife reuniu especialistas para debater o tema, na última sexta-feira (13/07). Karla Patriota, professora doutora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e Diego Oliveira, diretor de Contas da Ipsos Marplan, estiveram presentes ao evento e apontaram algumas das características e tendências para a relação das marcas com o consumidor da classe C – e que agora faz parte da classe média.

Segundo os especialistas, o crescimento da classe C não é apenas uma mudança numérica, mas também de costumes. “A classe média já representa 53% da população brasileira e tem novos hábitos como investir o que ganha em bens de consumo e ser fiel às lojas que ofereçam crédito facilitado, por exemplo”, afirma Diego Oliveira.

De acordo com Karla Patriota, outra característica desse público é a esperança na melhoria de vida. “Para eles, importa aonde se pode chegar. Essas aspirações estão presentes o tempo todo no consumo através do investimento em estudos, da compra da casa própria etc.”, analisa.

Isso é mostrado nos números de pesquisa realizada de janeiro a dezembro de 2011 pela Ispos junto a membros da classe média, intitulada Estudos Marplan. Uma parcela de 67% dos entrevistados garante que sua vida está melhor do que tempos atrás. Em relação ao futuro, a amostra é ainda mais otimista, já que 74% acreditam que a vida será melhor no futuro.

Diego Oliveira destaca que para motivar o consumidor da classe C é preciso explicar de forma clara e objetiva quais serão os benefícios obtidos com o produto que está sendo comprado. “Não adianta colocar palavras como ‘expertise’, ‘know how’. Você tem que usar palavras do dia a dia desse consumidor. Além disso, tem que se adaptar à linguagem visual desse público”, aponta Oliveira.

Os diversos consumidores

Karla explica que os consumidores da classe C podem ser classificados em perfis distintos, de acordo com seu comportamento:

- gastadores: aqueles que, por possuírem maior renda, são mais propensos ao maior consumo de bens e serviços;

- precavidos: tem menor predisposição ao consumo de marcas e possuem decisões de compra mais conservadoras;

- endividados: configuram o menor grupo. Motivados pela grande disponibilidade de crédito, acumulam dívidas para comprar bens, serviços e produtos de marca;

- austeros: preferem não acumular dívidas e mantém o orçamento em dia, tendo menos disposição para consumir marcas.

Luxo da acessibilidade

“O luxo para a classe C é o que chamamos de luxo da acessibilidade, é diferente do luxo da classe A e B”, afirma Karla.

Ela exemplifica citando que, para a classe A, viajar a Paris e jantar no restaurante Jules Verne, na Torre Eiffel, é um luxo. Enquanto, para a classe C, o conceito é diferente, “eles entendem o luxo como ter coisas do cotidiano as quais antes não eram acessíveis. Ir ao supermercado e fazer uma feira grande, cheia de coisas que eram consideradas supérfluas, é um exemplo”, completa.

Segundo a estudiosa, ter uma casa própria, um celular com design atual e eletrodomésticos equipados com alta tecnologia são outros exemplos dos chamados ‘luxos da classe C’.

O que fazer?

Os especialistas apontam algumas das tendências para obter sucesso junto aos consumidores com este perfil. Primeiramente é necessário conhecer este público. “Saber o que quer a classe C e entender que, por trás desse consumidor existe uma pessoa com anseios a serem atendidos é essencial”, defende Karla Patriota.

Oferecer valor agregado também é importante. “Apresente produtos que possuam excelência e qualidade, mesmo que o preço seja um pouco mais alto do que a concorrência”, destaca Karla.

Eles afirmam ainda que a aproximação junto a esses clientes deve acontecer por meio de experiências emocionais positivas. Outro ponto de destaque é o poder do ‘boca a boca’. “Na classe C, 43% das pessoas frequentemente pedem conselhos para amigos antes de fazerem as compras. E 35% dos consumidores são consultados por amigos em busca e orientações nas compras”, aponta Karla, citando a pesquisa da Ipsos.

Mercados emergentes

Nesse contexto, surgem novas possibilidades de negócios em segmentos que até então eram redutos de consumo das classes A e B. “Empresas do segmento de turismo e lazer, imóveis e automóveis têm grandes oportunidades com o crescimento da classe C”, avalia Diego Oliveira.

O levantamento da Ipsos mostrou ainda que 80% dos consumidores de classe média se preocupam com beleza e estética e 12% estão decididos a fazer cirurgia plástica. “Isso mostra que outro segmento com grande potencial é o de beleza e estética”, finaliza Oliveira.

 

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