Número de milionários brasileiros deve dobrar em 5 anos, prevê multinacional

publicado 23/10/2014 16h23, última modificação 23/10/2014 16h23
São Paulo – Diageo também afirma que classe média e jovens consomem produtos cada vez mais sofisticados
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Para empresas como Diageo e Victor Hugo, o mercado de luxo está se expandindo no Brasil e só os melhores terão espaço. As conclusões fizeram parte da reunião do comitê de Marketing da Amcham – São Paulo, realizado na quarta-feira (22/10). Em sua apresentação, Tânia César, diretora de marketing da multinacional inglesa de bebidas Diageo, comentou que as classes A e B cresceram muito nos últimos anos e, com elas, o apetite por produtos de luxo. “Há cada vez mais milionários no Brasil, e os que já eram ricos estão cada vez mais ricos.”

A executiva estima que há pelo menos 200 mil milionários no Brasil (patrimônio entre US$ 1 milhão a US$ 20 milhões), número que deve dobrar nos próximos cinco anos. De acordo com Tânia, a classe média também vai aumentar seu consumo por artigos de luxo. “As motivações e hábitos da classe B são semelhantes ao das classes ricas.”

Além disso, as gerações mais novas também estão consumindo mais produtos de luxo, uma vez que os jovens já crescem tendo contato com várias marcas. Ainda de acordo com a executiva, as compras no mercado de luxo são muito influenciadas por razoes emocionais. “Todas as marcas trabalham com discurso de vendas mais racional, enaltecendo as qualidades do produto, e os consumidores se deixam convencer.”

Teddy Paez, diretor de marketing da fabricante de acessórios femininos Victor Hugo, disse que há dois requisitos fundamentais para se dar bem no mercado de luxo: qualidade, que começa pela escolha das matérias-primas, e tradição. “Estamos falando de consumidores mais críticos e exigentes, que só serão fiéis a uma marca se ela tiver o apelo de reputação e exclusividade.”

De acordo com Paez, é preciso treinar as equipes de vendas para que elas conheçam os produtos detalhadamente e saibam atender a clientes exigentes.

Características do mercado de luxo

Em paralelo, estudiosos do mercado de luxo da USP (Universidade de São Paulo) e FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado) afirmam que os conceitos próprios de marca e posicionamento acabam influenciando outros segmentos de mercado.

Miguel Angelo Hemzo, professor do curso de Marketing da EACH (Escola de Artes, Ciências e Humanidades) da USP (Universidade de São Paulo) Leste (confira aqui a apresentação completa), e André Cauduro D’Angelo, professor convidado do MBA em Gestão do Luxo da FAAP, apontaram em comum que o grande diferencial das marcas de luxo é a sua reputação.

“Tirando o lado funcional do produto, há um aspecto emocional que é mais forte. E quando a situação se aplicar, a empresa tem que contar para o cliente que não nasceu ontem, e trabalha no negócio por uma ou várias gerações”, comenta Hemzo. 

D’Angelo, da FAAP, disse que a fórmula de comercialização das grifes de luxo acaba sendo copiada por outros mercados. A gourmetização, que consiste na venda de produtos triviais como se fossem gourmets, é um bom exemplo.

“Um brigadeiro gourmet tem qualidade superior, o que se configura em um dos itens de luxo. Ele também é mais bem embalado, o que confere apelo estético, e possui a marca da exclusividade. Porque é feito por uma brigaderia, e não uma padaria qualquer”, comenta.

Além disso, o brigadeiro gourmet só é encontrado em lojas e quiosques específicos, e não em qualquer comércio. Também custa mais caro que o brigadeiro comum. “Certo, o cliente pode dizer que um brigadeiro gourmet custa R$ 5. Mas todas as fórmulas do mercado de luxo estão contidas nesse modelo de negócios”, acrescenta.

A seguir, a íntegra da apresentação de  Miguel Angelo Hemzo, da USP Leste, no comitê de Marketing da Amcham – São Paulo, realizado na quarta-feira (22/10): 


 


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