O número de fusões e aquisições não chega a 300, bem abaixo da média

publicado 14/06/2016 10h10, última modificação 14/06/2016 10h10
São Paulo - A queda no número de operações está relacionada a crise econômica
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De forma geral, as operações de fusão e aquisição (mergers and acquisitions ou M&A) estão em queda no país. Geralmente, uma crise econômica traz oportunidades para esse setor. Desde o ano passado, no entanto, houve uma queda nesse número: a média é de 800 transações por ano, segundo Reinaldo Grasson, sócio líder de Corporate Finance Advisory da Deloitte e especialista em operações M&A. Em 2016, o fechamento de maio apontava menos de 300 operações. "Se até quase o meio do ano estamos com esse número, não chegaremos a 900 operações até o final do ano", lamentou o especialista, durante reunião do comitê de finanças da Amcham - São Paulo, realizado na sexta-feira (10).

O especialista relacionou a queda desse número com a crise econômica brasileira. Como o mercado de M&A está estritamente ligado a capitais, investimentos, dívida e crédito, as alterações no cenário prejudicaram o setor. O primeiro aspecto destacado por ele foi a instabilidade política e econômica, que diminuiu o volume de investimentos no país, exceto em áreas específicas como no agronegócio e em títulos da dívida pública.

Outro problema identificado por Grasson foi a mudança no cenário de capitais e de crédito do país. Antes, o estoque de crédito que os bancos disponibilizavam para pessoas físicas e jurídicas era alto. Agora, por preocupação com inadimplência, os bancos diminuíram esse estoque. A queda das Ofertas Públicas Iniciais (IPOs na sigla em inglês), ou seja, da abertura de capital das empresas, também afetou os números. Muitas vezes, era essa abertura que gerava recursos para as transações M&A. "Não temos mais as condições que tínhamos em 2008", resumiu.

O especialista, no entanto, prevê uma melhora nos negócios a partir de 2017 e tem uma perspectiva positiva para o futuro: "Temos muito a crescer. Eu sou otimista, acho que o que estamos passando é momentâneo. Estou no setor há 22 anos e já passei por várias crises, e essa é passageira".

Processos de M&A no âmbito de recuperações judiciais e investigações do Ministério Público

Muitos investidores estrangeiros estão sendo mais cautelosos ao analisar e fechar operações de M&A em empresas que entraram em recuperação judicial (RJ) por motivos relacionados a investigações do Ministério Público. Segundo Grasson, a preocupação em entender o que motivou essas investigações e a forma de endereçar as questões levantadas está aumentando a cautela do investidor e prolongando o tempo dessas operações.

"Antes, o mercado de M&A via oportunidades nos casos de recuperação judicial, que teoricamente estimulavam as operações por proporcionar caixa e ajudar na recuperação da empresa. Na prática, não vemos esse crescimento na escala que imaginávamos", explicou.

O receio dos compradores de fora, no caso, é com risco reputacional, daí a necessidade de entender o que ocorreu ou está sendo objeto de investigação na empresa, para poder tomar as medidas de mitigação de riscos necessárias, considerando que a jurisprudência da recuperação judicial no Brasil é relativamente nova e não tão bem consolidada como em outros países. Por isso, há um aumento enorme no número de diligências prévias e auditorias nesse tipo de transação nos últimos anos, o que acaba prolongando o processo da compra. O especialista entende que o mercado irá melhorar nos próximos anos, com a consolidação da lei e maior jurisprudência nas mais variadas situações.

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