Olhar para o indivíduo é condição para reinventar o modelo de negócio no século 21

publicado 31/03/2015 12h01, última modificação 31/03/2015 12h01
São Paulo – Excessos do capitalismo mudaram a agenda do mundo, diz Alexandre Alves, da Inseed Investimentos
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Voltar-se para a própria natureza do indivíduo é o primeiro passo para inovar o modelo de negócio, afirma Alexandre Alves, diretor da Inseed Investimentos, gestor de recursos focada em inovação. É dessa forma que as organizações podem se adequar à agenda da população do século 21, cruzando as necessidades de todos os seus públicos.

“Olhar com a lente padrão de apenas lucro para acionistas, que talvez tenha dado certo para o século passado, é insuficiente para este século. A empresa é um organismo entrelaçado pela vida de todos os stakeholders, então o marketing tem que estar inserido nesse novo contexto”, declara Alves, que participou do comitê estratégico de Marketing da Amcham – São Paulo quarta-feira (25/03).

Segundo Alves, a agenda de hoje força a mudança no relacionamento com os diferentes públicos já a partir do marketing. Antes, as empresas se posicionavam de acordo com os concorrentes. Agora, têm de formular sua estratégia perante o cliente. “Tenho que me relacionar com todos e todos os concorrentes querem tirar meu cliente, que pode sair sozinho também, decidir não ser mais meu cliente. O indivíduo está mais empoderado”, avalia.

O público de hoje mudou os conceitos. A indústria química passou um século para desenvolver insumos agrícolas que deixavam o tomate bonito, mas o consumidor agora prefere o fruto sem agrotóxicos, “feio mesmo”. “Antes, status era ter carro, agora, é dizer que vendeu”, ressalta.

Alves busca nos ecossistemas encontrados na natureza uma analogia para entender por que se deu tal mudança. Quando algo está em excesso no organismo, este tenta expulsá-lo para reequilibrar-se. Na economia, cujo significado em grego é organização da casa, a lógica é a mesma. “A gente tem tradição de evoluir e desarranjar. Quando algo vai ao extremo, deixa de ser ele mesmo e muda”, diz. “Fomos ao extremo no capitalismo e na revolução industrial e agora estamos mudando”, pontua.

O que está ocorrendo na sociedade atualmente já deve ser considerado base para as próximas décadas. Basta verificar o tempo de assimilação de “outras novidades”, compara o diretor da Inseed. “A primeira década do século foi de adaptação à internet, com muita resistência também. Já em 2015 não há mais o que discutir sobre o papel da internet nas nossas vidas. Em um único dia, 7 bilhões de pessoas no mundo todo podem opinar sobre a cor de um vestido”, cita, aludindo à polêmica sobre a cor de um vestido azul e preto ou branco e dourado que mobilizou o mundo a partir da dúvida de uma blogueira escocesa, no começo de março.

Para Alves, o que se vê no comportamento da sociedade e deve ser considerado para inovar os modelos de negócios é o refluxo dos excessos da revolução industrial, em que o consumidor aponta para o não-consumo ou para o consumo consciente. “Uma coisa era o planeta com 1 bilhão de pessoas, outra é o mesmo lugar com 10 bilhões; ele naturalmente tem que buscar se organizar. A biologia e o planeta têm isso, de ciclos. Nós também temos de aprender esse novo ciclo de harmonia. Não é trivial, é uma jornada”, ressalta.

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