Ouvir os instintos permite estar aberto às oportunidades, diz biólogo Richard Rasmussen

por marcel_gugoni — publicado 04/10/2012 15h18, última modificação 04/10/2012 15h18
São Paulo – Apresentador do programa Aventura Selvagem do SBT acredita que seguir as lições apresentadas pelos animais ajuda a encontrar caminhos para a realização profissional e pessoal.
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Um bom salário em um emprego numa grande empresa de auditoria, com estabilidade de horário e pacote de benefícios, não era o tipo de coisa que fazia o contador Richard Rasmussen se sentir realizado profissionalmente. Embora tivesse passado quatro anos em uma faculdade de Ciências Contábeis, ele se sentia mais à vontade em meio à natureza. E foram os bichos que deram o incentivo para a mudança: eles seguem os próprios instintos melhor do que qualquer ser humano.

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“Ficamos tão racionais que nos esquecemos de seguir o coração. O melhor dos bichos, que é o instinto, nós humanos perdemos. E, na maioria das vezes, o instinto pode levar a um caminho melhor para nossa vida, que nem sempre é imediatamente claro, mas depois se abre como uma grande oportunidade”, afirmou Richard, que, depois de estudar Biologia e enveredar para uma carreira naturalista, passou a trabalhar com muito mais vontade.

Ele revela que, inicialmente, seguiu a carreira contábil por influência do pai, que era executivo de uma multinacional. “Cresci em um sítio na cidade de São Roque (interior de São Paulo) e meu pai viajava muito a trabalho. Eu e minha mãe vivíamos no meio do mato com os animais”, conta. “Eu queria algo que tivesse mais contato com a natureza, com o planeta.”

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Para Rasmussen, aprender a ouvir os próprios instintos é sempre uma forma de encontrar a própria felicidade. “Inicialmente, as pessoas escolhem a profissão que supostamente dá mais recursos financeiros. No meu caso, eu estava extremamente infeliz e a saída foi permitir que outras oportunidades se abrissem.”

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Hoje Richard apresenta o programa Aventura Selvagem, nas tardes de sábado do SBT, e antes tinha um quadro de aventura na natureza no programa Domingo Espetacular, da Rede Record. Ele participou do comitê aberto de Secretariado Executivo na Amcham-São Paulo nesta quarta-feira (04/10), e usou os bichos como metáfora para falar de como cada um pode enfrentar seus medos.

Metas

Rasmussen mostrou uma das filmagens que fez de um grupo de leões-marinhos que atravessa um mar infestado de tubarões para se alimentar – e um deles acaba sendo devorado no trajeto. “Os bichos sempre estão em busca de duas coisas: alimento e reprodução. Para alcançar isso, vivem como se cada dia fosse o último”, compara. “Esses leões-marinhos sabem que podem ser comidos e o risco que correm, mas todo dia saem para se alimentar e é nas águas infestadas de predadores que entram.”

A primeira lição que fica é: mesmo conhecendo o ambiente em que vivemos, é preciso enfrentar os próprios medos. “O que mata as pessoas, hoje, é o medo”, afirma. No mundo corporativo, há medo de falhar em um projeto, de ser mal interpretado pelo chefe, de enfrentar desafios e até de aprender com os erros.

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“Cada vez mais, estamos nos esquecendo de que o mundo real existe. Tem gente que passa a semana inteira trabalhando, fechada em reuniões e escritórios, e deixa de observar as coisas pequenas por medo dos problemas”, filosofa. “É preciso sair dos círculos viciosos e viver, não apenas sobreviver.”

Para enfrentar o medo são necessárias duas coisas: objetivo e conhecimento. Segundo ele, metas bem definidas ajudam a ter uma direção, um caminho a seguir. O conhecimento e o aprendizado permitirão iniciar o trajeto e darão a bagagem necessária para lidar com os problemas do caminho escolhido.

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“Eu tinha um medo enorme de escorpião. Até eu conseguir pegar um na mão foi um processo longo”, conta. “Não basta simplesmente ir lá e pegar, como se pega um copo de água. É preciso aprender a minimizar o risco, afinal, é um bicho que tem tudo para complicar a vida de um homem – ele tem pinças e uma cauda capaz de injetar veneno.”

Em seus programas, Richard Rasmussen costuma pular na água para agarrar jacarés, pegar cobras e insetos com as mãos, abraçar macacos e baleias e entrar em lamaçais à procura de bichos do mangue. Richard diz que sente, sim, medo. “Isso faz parte. Para enfrentar, é preciso saber com o que estamos lidando. Isso é o conhecimento.”

Ambiente

Saber observar o ambiente também é essencial para lidar bem com a natureza – e com a selva que é o mundo corporativo. “Os bichos, por exemplo, se não estão confortáveis, vão embora. É uma das principais lições a serem aprendidas, mas nós mesmos não costumamos reparar no nosso entorno.”

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O biólogo diz que nenhum animal se reproduz em ambientes que são estéreis para suas necessidades. O mesmo ocorre com o ser humano – cuja produtividade tende a decair em locais ou situações hostis. “Perceber o ambiente é uma forma de conhecer as abordagens possíveis e respeitar a si mesmo.”

Há ainda outro fator que faz diferença no momento em que confrontamos nossas limitações: é o planejamento. Para o apresentador, é preciso ter uma estratégia traçada capaz de unir o objetivo ao conhecimento. “E como qualquer planejamento sempre pode falhar, temos que saber se adaptar a esse planejamento.”

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“A mensagem é que temos que olhar para a vida do jeito que o bicho faz: ele vive cada dia como se fosse o último. Ele aproveita cada segundo e não tem medo”, reforça.

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